
Raul Brandão, escritor um tanto desconhecido para a maioria das pessoas, é todavia um dos percursores da escrita dita existencialista em português. O expoente da angústia existencialista pode ser encontrada em Húmus, com excelentos retratos da perenidade da nossa existência.
No Citador tem à sua disposição, sob a forma de aforismos, alguns pequenos trechos desse magnífico livro, de que fica aqui uma pequena amostra:
O hábito é que me faz suportar a vida. Às vezes acordo com este grito: - A morte! A morte! - e debalde arredo o estúpido aguilhão. Choro sobre mim mesmo como sobre um sepulcro vazio. Oh! Como a vida pesa, como este único minuto com a morte pela eternidade pesa! Como a vida esplêndida é aborrecida e inútil! Não se passa nada, não se passa nada. Todos os dias dizemos as mesmas palavras, cumprimentamos com o mesmo sorriso e fazemos as mesmas mesuras. Petrificam-se os hábitos lentamente acumulados. O tempo mói: mói a ambição e o fel e torna as figuras grotescas
Tema: Angústia
Toda a gente forceja por criar uma atmosfera que a arranque à vida e à morte. O sonho e a dor revestem-se de pedra, a vida consciente é grotesca, a outra está assolapada. Remoem hoje, amanhã, sempre, as mesmas palavras vulgares, para não pronunciarem as palavras definitivas. E, como a existência é monótona, o tempo chega para tudo, o tempo dura séculos
Tema: Angústia
A vida é fictícia, as palavras perdem a realidade. E no entanto esta vida fictícia é a única que podemos suportar. Estamos aqui como peixes num aquário. E sentindo que há outra vida ao nosso lado, vamos até à cova sem dar por ela. Estamos aqui a matar o tempo
Tema: Vida
Reduzimos a vida a esta insignificância... Construímos ao lado outra vida falsa, que acabou por nos dominar. Toda a gente fala do céu, mas quantos passaram no mundo sem ter olhado o céu na sua profunda, temerosa realidade? O nome basta-nos para lidar com ele
Tema: Vida
Nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe. Vivemos de palavras. Vamos até à cova com palavras. Submetem-nos, subjugam-nos. Pesam toneladas, têm a espessura de montanhas. São as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem. Mas há momentos em que cada um redobra de proporções, há momentos em que a vida se me afigura iluminada por outra claridade. Há momentos em que cada um grita: - Eu não vivi! eu não vivi! eu não vivi! - Há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. A vida é só isto?
Tema: Palavra
"O difícil é vencer a monotonia"
Alceu Amoroso Lima
Afixado por: Luiz Ramos em fevereiro 7, 2004 06:21 AMA Vida nao é feita de realizade que se sonha mais sim de sonhos que se Realizam....Sempre há a esperança de um dia melhor!!!
Afixado por: Janaina em setembro 1, 2004 01:42 PMA Vida nao é feita de realidade que se sonha mais sim de sonhos que se Realizam....Sempre há a esperança de um dia melhor!!!
Afixado por: Janaina em setembro 1, 2004 01:43 PM