Que difícil é propor um problema ao entendimento alheio sem corromper esse entendimento pela maneira de propor! Se dizemos: acho isto belo, acho obscuro, ou outra coisa semelhante, arrastamos a imaginação para este juízo, ou irritamo-la, levando-a ao juízo contrário. Mais vale nada dizer, e então o outro julga segundo o que é, ou segundo o que é naquele momento, e de acordo com o que as outras circunstâncias, de que não somos responsáveis, lá tiverem posto. Mas pelo menos nós não pusemos nada; a não ser que o nosso silêncio tenha também o seu efeito, segundo o sentido e a interpretação que ele estiver disposto a atribuir-lhe, ou segundo o que depreende dos movimentos e da expressão do rosto, ou do tom de voz, conforme for melhor ou pior fisionomista: tão difícil é não deslocar um entendimento da sua base natural, ou antes, tão pouco um entendimento tem de firme e estável!
Blaise Pascal, in "Pensamentos"
Publicado por pns em novembro 16, 2009 09:15 PMPenso que quando somos deparados com um problema temos que ter a capacidade que o confrontar independentemente da imagem que do mesmo nos é dado por outros. O meu entendimento só deve ser "distorcido" se eu estiver predisposta a isso. Logo, o meu entendimento não deve assumir esse tipo de disponibilidade. É que se assim for não assumo aquele que deve ser um espírito crítico, cada vez mais importante nos tempos que correm.
É evidente que o que está aqui em causa é a(s) forma(s) como se comunica. O vocabulário usado. As linguagens não verbais ou não escritas utilizadas. Mas também elas. Temos que, face a tudo isso, nos situar e decidir qual a nossa postura.
Escusado será dizer que a absorção/assimilação das mensagens é feita de acordo com as categorias de cada um, dependendo estas do meio em que está inserido, do nível cultural, etc. Isto é algo que não se pode negar. Como não se pode negar que podemos adaptar pontos de vista pessoais em função de informação adicional. Agora, isto é uma coisa, outra coisa é todo este processo transformar-se em distorção do entendimento. Aqui o sentido será mais pejorativo e não entendido do ponto de vista de uma evolução pessoal. Manipulação (a priori/a posteriori)? Temos que considerar que sim. Pensemos agora nas fronteiras a partir de quando isso é legítimo de ser considerado.
Sandra
Afixado por: Sandra em outubro 8, 2003 05:32 PM
Hummm.... quando li o texto do Pascal entendi-o mais no sentido, pessoalmente de que muitas vezes, mesmo que, em determinada situação, consideremos que estamos a agir sem qualquer influência (e não falo da cultural ou similar), esta existe e muitas vezes só nos apercebemos que afinal fomos influenciados algumas horas, dias ou meses depois, dependendo da situação.
Mas, após este aparte, mais uma vez (isto de estar quase sempre de acordo contigo deve ser aborrecido para ti), assino por baixo dos teus comentários. :)))
Afixado por: Paulo Silva em outubro 8, 2003 07:37 PMNão não fico nada aborrecida. Até porque a concordância não significa só "sim, porque sim". Há sempre possibilidade de discussão.
Sandra :))
Afixado por: Sandra em outubro 8, 2003 07:47 PMPara haver desentendimento tem que haver entemdimento. A janela do entemdimento só será entendida quando observada pelo desentendimento.
Afixado por: calitos em abril 13, 2004 09:48 PM