O que mais me intriga e dói na nossa morte, como vemos na dos outros, é que nada se perturba com ela na vida normal do mundo. Mesmo que sejas uma personagem histórica, tudo entra de novo na rotina como se nem tivesses existido. O que mais podem fazer-te é tomar nota do acontecimento e recomeçar. Quando morre um teu amigo ou conhecido, a vida continua natural como se quem existisse para morrer fosses só tu. Porque tudo converge para ti, em quem tudo existe, e assim te inquieta a certeza de que o universo morrerá contigo. Mas não morre. Repara no que acontece com a morte dos outros e ficas a saber que o universo se está nas tintas para que morras ou não. E isso é que é incompreensível - morrer tudo com a tua morte e tudo ficar perfeitamente na mesma. Tudo isto tem significado para o teu presente. Mas recua duzentos anos e verás que nada disto tem já significado.
Vergílio Ferreira, in "Escrever"
Publicado por pns em outubro 15, 2003 12:05 PMmuito obrigado pelo link. Honra-me. Mesmo muito. Abraço.
Afixado por: wilson t em outubro 15, 2003 01:40 PM
Ora, ora... não é preciso nenhum agradecimento. Empatias são empatias... empatia com o revelar do interior de cada um de nós, de forma directa ou indirecta, mas de uma forma leal e sincera, sem complexos e revelando toda a riqueza que qualquer um de nós tem mas que muitas vezes escondemos, por medo, vergonha ou sobranceria.
Afinal é também isso que o Citador procura, ao expôr as citações.
Afixado por: Paulo Silva em outubro 15, 2003 02:21 PM:)
Afixado por: wilson t em outubro 16, 2003 05:53 AM