Todos os valores se desmoronam à nossa volta, como sabemos, e interrogamo-nos sobre que valor poderia nascer ou resistir. Mas porque não pões em causa o próprio valor do valor? Porque dizer valor é já dizer que o é. Como o sabes? Admite por agora que é melhor não perguntares.
Vergílio Ferreira, in "Pensar"
Publicado por pns em novembro 9, 2003 03:15 PMvalores... só deviam valer os nossos. se precisamos dos dos outros, sem sabermos construir os nossos, então de nada valem.
Afixado por: dolphin.s em novembro 9, 2003 03:53 PMA questão dos valores está intimamente relacionada com aquelas da Ética e da Moral. Se bem que em todas estas áreas existam vertentes que devem ser consideradas universalmente, outras há que são da nossa inteira responsabilidade(quer por criação "absoluta", quer por adaptação), de acordo com a forma como nos posicionamos perante as realidades. Porque a nossa consciência está em nós e não anda a deambular por aí, a assimilação que vai sendo feita dos valores reflecte-se igualmente na forma de viver essa e com essa consciência. Neste sentido, o valor do Valor é apenas para nós, dentro daquela que é a nossa maneira de ser, estar e pensar. Naquela que é a nossa forma de estar no mundo, perante os outros e perante nós próprios. Naquela que é a nossa forma de estar mesmo perante o desconhecido.
Sandra
Afixado por: Sandra em novembro 9, 2003 04:05 PMA passagem dos dias (e neste, das horas, dos minutos e dos segundos) é o assistir asfixiante do choque de valores: dos meus, dos do outro, do outro e do outro...e por ai fora. Isso não seria terrivelmente negativo se esse choque em vez de significar pequenas diferenças (e note-se, as diferenças não são necessariamente negativas, antes pelo contrário, se colocadas/expostas/rentabilizadas de determinada forma), significar antes violação absoluta da integridade moral e da ética alheia.
Sandra
Afixado por: Sandra em novembro 9, 2003 04:50 PMCada vez tenho menos "valores"... pelo menos no que diz respeito aos sociais e morais, que abundam na nossa sociedade.
Este ler de tantos autores tem causado a erosão de todas estas "cascas" (valores) que afinal são artificiais.
Cada vez mais, quanto mais autores leio e mais opiniões partilho, me sinto a ficar com a base essencial para que, daqui a mais alguns anos, possa tentar construir algun valores adicionais.
E essa base é, pura e simplesmente, o humano, o humano como base de valor, realçando aquilo de bom que o humano tem: a amizade, a compreensão, a fraternidade, o respeito pelo próximo, a humildade, e o orgulho da nossa própria identidade sem colidir negativamente na dos próximos... (acho que estou a divagar, mas penso que percebem onde quero chegar).
Afixado por: Paulo Silva em novembro 9, 2003 08:13 PMNão, não estás Paulo.
É exactamente isso. E é isso que nos fortalece no embate que a Sandra fala.
Ao embatermos com os valores dos outros, se não estivermos "fortalecidos" com aquilo que nós construimos para nós, o embate pode derrotar-nos, porque estaremos a usar algo que foi construido por outros - logo não temos maneira de controlar ou justificar algo que não temos maneira de compreender, porque nos é exterior.
Nós temos que ser um "produto" construído por nós. Por muito que se herde de pais, sociedade, etc, nós somos os únicos responsáveis pela nossa construção. E a responsabilidade daquilo em que nos tornamos é apenas nossa. Não existe valor que não possamos questionar. Não existe verdade que sejamos obrigados a aceitar e não existe herança que não possamos recusar.
Os nossos valores são construidos com base na nossa vida, não na vida dos outros.
e agora fui eu que viajei e andei a divagar... :/
Afixado por: dolphin.s em novembro 9, 2003 08:40 PM