A tecnologia que inunda o mundo de hoje, e a ciência que a serviu, não o invadem apenas na parte exterior do homem mas ainda os seus domínios interiores. Assim o que daí foi expulso não deixou apenas o vazio do que o preenchia, mas substituiu-o pelo que marcasse a sua presença. O mais assinalável dessa presença é por exemplo um computador. Mas será a obra transaccionável por um parafuso?
Vergílio Ferreira, in "Escrever"
Publicado por pns em novembro 12, 2003 07:15 PMRelativamente à tecnologia, aqui e agora, prefiro pensar no(s) espaço(s) que ela permite ganhar.
Vejamos o exemplo de Vergílio Ferreira: estando ele no "Citador" não tecnologicamente adaptado- e bem adaptado-, não é isso motivo para júbilo? E a sua escrita passada para uma forma de expressão electrónica, não chega a tantos e tantos mais? E esses? Sim, esses que a bebem pelos olhos. Nós! Somos nós. E estamos aqui. Também tecnologicamente colocados. Lendo-o. Vivendo-o. Acompanhando-o naquele que foi (é) o seu pensamento. E ganhamos. Ganhamos muito. E esse ganho infiltra-se no espaço. No nosso espaço. Ou nos nossos espaços interiores.
(eis aqui uma possível forma de abordar este texto!)
Sandra
Afixado por: Sandra em novembro 12, 2003 08:26 PMOnde se lê "...não tecnologicamente adaptado" deve ler-se "...tão tecnologicamente adaptado".
Sandra
Afixado por: Sandra em novembro 12, 2003 08:28 PMGosto de "invasão" naquilo que ela se pode entrelaçar com o "ganho".
Não gosto de "invasão" se ela se equivaler a "esvaziamento".
O "vazio" não tem que ser definitivo.
Aqui, e tecnologicamente falando, pode ser um espaço de (curta) transição.
Esvazia-se algo que existia ou que existia de determinada forma e logo esse espaço resultante/sobrante/excêntrico volta a ser (pode voltar a ser) novamente cheio/repleto com algo diferente.
Eventualmente mais rico.
Eventualmente mais pobre...
... mas aqui teremos que ser nós a escolher o tipo de parceria a fazer.
Sandra
Afixado por: Sandra em novembro 12, 2003 08:43 PM
Teremos que ser nós a escolher o tipo de parceria a fazer... nem mais, Sandra, nem mais.
Eu percebo (tal como tu, claro) o que o Vergílio insinua... que, com a tecnologia, o "espaço" que ela nos vai ocupar na nossa mente (como usá-la, e o conhecimento necessário para a usar) pode eventualmente roubar um espaço que poderia ser preenchido de uma forma mais rica... penso que é aí que ele quer chegar. E está certo, essa questão existe, tal vez não ao "nosso" nível (tu e eu) por aquilo que andamos a fazer no ciber-espaço, mas é capaz de acontecer com muito mais gente, vulgo os grandes consumidores dos jogos de computador, da própria televisão, e por aí fora, todo o tipo de passatempo, de entretenimento, mesmo de trabalho no qual se usa e abusa da tecnologia, e em que a tecnologia, além de ser um meio, se torna um fim.
Por isso é pertinente aquilo que dizes... só depende de nós... é pena VF não ter vivido o suficiente para chegar até aos nossos dias... talvez a opinião dele já fosse um pouco diferente, ou, se calhar, até já era, neste pensamento apenas quis radicalizar um dos aspectos do uso da tecnologia.
Mas pronto, pôs-nos a pensar, e a falar, o objectivo principal dele foi conseguido, certamente!
Afixado por: Paulo Silva em novembro 12, 2003 09:50 PM