dezembro 15, 2003

As Palavras - Jean-Paul Sartre

As PalvrasAs Palavras é uma auto-biografia muito focalizada de Jean-Paul Sartre, sobre os temas da leitura e da escrita, que dão o título aos dois capítulos em que o livro se divide. Jean-Paul Sartre, já nos seus 60 anos, faz uma retrospectiva dos seus tempos de infância, até aos 11-12 anos, explicando o ambiente em que nasceu e cresceu, como começou o seu contacto com os livros, e as imensas dúvidas existenciais (!) que já sentia com 7 anos. Aprendendo a ler e tendo dissecado uma imensa biblioteca (do seu avô), antes ainda de ter entrado para a escola, tratando "tu cá tu lá" os grandes mestres da literatura e alguns filósofos, Sartre descreve os seus anos de infância que foram vividos quase como um adulto, em virtude das circunstâncias, bastante peculiares e interessantes, do meio em que cresceu e do seu relacionamento com a sua mãe e os seus avós (sobretudo o avô). Da mesma forma, fala das suas motivações para a escrita, de todas as etapas que percorreu, ainda na infância e a entrar na adolescência, como escritor. Além disso, Sartre fala das várias metamorfoses que sofreu, dos vários choques que apanhou e como recuperou deles, culminado com a visão, muito pessoal, da sua escrita, do papel da sua escrita, e do seu próprio papel na sociedade, das suas ambições, das suas desilusões, e da serenidade com que chegou ao final da sua vida em termos de cumprimento do seu papel como escritor.

(Opinião contida na secção de Leituras do Citador)

Deste livro, foram extraídas, em colaboração com o Silêncio, as seguintes citações, também presentes no CitaLivre do Citador:

A cultura não salva nada nem ninguém, não justifica. Mas é um produto do homem: o homem projecta-se nela, reconhece-se nela; só esse espelho crítico lhe devolve a própria imagem.
Tema: Cultura

As crianças entre si detestam a infantilidade: são homens de verdade
Tema: Criança

Mesmo profunda, a fé nunca é inteira. Cumpre sustentá-la incessantemente ou, pelo menos, abster-se de a arruinar
Tema: Fé

Eis a miragem: o futuro mais real que o presente. O que não é de espantar: numa vida acabada, é o fim que se toma pela verdade do começo
Tema: Futuro

Quanto mais absurda é a vida, menos suportável é a morte
Tema: Morte

A Verdade e a Fábula são uma e a mesma coisa, que é preciso representar a paixão para a sentir, que o homem é um ser de cerimónia
Tema: Verdade

Nada é irremediável e, no fundo, nada se mexe, as vãs agitações da superfície não devem ocultar-nos a calma mortuária que é o nosso quinhão
Tema: Vida

Podemos conhecer tudo das nossas afeições excepto a sua força, isto é, a sua sinceridade
Tema: Auto-conhecimento

Todas as crianças são inspiradas, nada têm a invejar aos poetas, que são pura e simplesmente crianças
Tema: Criança

Não sou um chefe, nem aspiro a sê-lo. Comandar e obedecer dão no mesmo. O mais autoritário comanda em nome de outro, de um parasita sagrado - seu pai -, e transmite as abstractas violências de que padece. Nunca na minha vida dei ordens sem rir, sem fazer rir; é que não estou roído pelo cancro do poder; não me ensinaram a obediência.
Tema: Poder

Quando amamos demasiado as crianças e os animais, amamo-los contra os homens
Tema: Humanidade

Publicado por pns em dezembro 15, 2003 12:12 PM
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