A cultura é uma das formas de libertação do homem. Por isso, perante a política, a cultura deve sempre ter a possibilidade de funcionar como antipoder. E se é evidente que o Estado deve à cultura o apoio que deve à identidade de um povo, esse apoio deve ser equacionado de forma a defender a autonomia e a liberdade da cultura para que nunca a acção do Estado se transforme em dirigismo.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Assembleia Constituinte, Agosto de 1975'
Publicado por pns em julho 3, 2004 01:17 PMNada a restringir. A cultura é o retrato da inquietação do pensamento humano. Mesmo abrigando, por vezes, simples vaidade pessoal de autores e artistas, essa fermentação não deve, em princípio, ser cerceada pelo Estado, a não ser quando se transforma em explícito incentivo à violência e à degradação. Isso porque é dever do Estado preservar a incolumidade física e moral de seus cidadãos. E há limites para tudo. Se a televisão quiser - obviamente visando o lucro - exibir cenas de sexo explícito em todos os horários, mesmo sob o rótulo de que " sexo é cultura", cabe ao Estado não se deixar tapear pelo disfarce.
Afixado por: Francisco César Pinheiro Rodrigues em julho 4, 2004 02:58 PM