O tempo, propriamente dito, não existe (excepto o presente como limite), e, no entanto, estamos submetidos a ele. É esta a nossa condição. Estamos submetidos ao que não existe. Quer se trate da duração passivamente sofrida - dor física, esperança, desgosto, remorso, medo -, quer do tempo organizado - ordem, método, necessidade -, nos dois casos, aquilo a que estamos submetidos, não existe. Estamos, realmente, presos por correntes irreais. O tempo, irreal, cobre todas as coisas e até nós mesmos, de irrealidade.
Simone Weil, in 'A Gravidade e a Graça'
Publicado por pns em julho 7, 2004 01:25 PMPara concordar com o comentário de Simone é nada mais, nada menos, do que aquilo que fazemos e utiliamos o fazer, para sobreviver... "Nada como um dia atrás do outro". Ontem, vivemos uma situação; hoje, estamos vivendo uma outra situação, que nos remete a outra situação que viveremos amanhã, assim sendo, o tempo propriamente dito não existe, pelo simples fato, de que ontem, hoje e amanhã, estaremos no mesmo lugar, diferenciando opiniões, porém estaremos no mesmo tempo. "O tempo propriamente dito, realmente não existe"! O que existe é o tempo que nós fazemos.
Afixado por: Soninha em julho 23, 2004 09:34 AM