As alegrias dos pais são secretas, como também o são os desgostos e os receios: não sabem exprimir as primeiras, não querem exprimir os segundos. As crianças tornam mais suaves os nossos trabalhos, mas tornam amargas as nossas desgraças; acrescem os cuidados da vida, mas mitigam a lembrança da morte. A perpetuidade pela geração é comum aos animais; mas a glória, o mérito, e os nobres feitos são próprios do homem. E certamente observar-se-á que as obras e as instituições mais nobres provêm de homens sem filhos, homens que transmitiram as imagens do seu espírito, já que não transmitiram as dos seu corpo. Assim o cuidado pela posteridade é maior naqueles que não deixam posteridade.
Francis Bacon, in 'Ensaios - Dos Pais e dos Filhos'
Publicado por pns em agosto 10, 2004 03:01 PMDiscordo ligeiramente.Pais alegres com o sucesso dos filhos não costumam manter em segredo a satisfação. Já os desgostosos com a prole, geralmente disfarçam a tristeza. Quanto aos feitos nobres é possível - não há estatística a respeito - que a falta de filhos gere um maior anseio compensatório de se "perpetuar". Se isso não ocorreu em carne, que pelo menos ocorra em espírito, na memória dos vivos. O homem detesta a idéia de ser encarado como um ninguém.
Afixado por: Francisco César Pinheiro Rodrigues em agosto 11, 2004 10:19 PMDiscordo ligeiramente.Pais alegres com o sucesso dos filhos não costumam manter em segredo a satisfação. Já os desgostosos com a prole, geralmente disfarçam a tristeza. Quanto aos feitos nobres é possível - não há estatística a respeito - que a falta de filhos gere um maior anseio compensatório de se "perpetuar". Se isso não ocorreu em carne, que pelo menos ocorra em espírito, na memória dos vivos. O homem detesta a idéia de ser encarado como um ninguém.
Afixado por: Francisco César Pinheiro Rodrigues em agosto 11, 2004 10:19 PM