agosto 12, 2004

Bondade e Sabedoria devem ser Inocentes

Quando a bondade se mostra abertamente já não é bondade, embora possa ainda ser útil como caridade organizada ou como acto de solidariedade. Daí: «Não dês as tuas esmolas diante dos homens, para seres visto por eles». A bondade só pode existir quando não é percebida, nem mesmo por aquele que a faz; quem quer que se veja a si mesmo no acto de fazer uma boa obra deixa de ser bom; será, no máximo, um membro útil da sociedade ou zeloso membro de uma igreja. Daí: «Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita.»

(...) O amor à sabedoria e o amor à bondade, que se resolvem nas actividades de filosofar e de praticar boas acções, têm em comum o facto de que cessam imediatamente - cancelam-se, por assim dizer - sempre que se presume que o homem pode ser sábio ou ser bom. Sempre houve tentativas de dar vida ao que jamais pode sobreviver ao momento fugaz do próprio acto, e todas elas levaram ao absurdo.

Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'

Publicado por pns em agosto 12, 2004 09:43 AM
Comentários

A primeira reflexão, sobre o anonimato da caridade, revela uma grande nobreza de alma. Realmente, sempre fica alguma dúvida se o caridoso não quis se exibir com seu ato. Já o segundo parágrafo citado tem a sua provável sabedoria dependente de melhor explicação. Ofereço um doce para quem for capaz de traduzir, em linguagem clara, o que a grande pensadora quis dizer. Não ofereço dinheiro porque gente do tipo que lê esta página ficaria ofendida se eu mencionasse dinheiro.

Afixado por: Francisco César Pinheiro Rodrigues em agosto 13, 2004 01:52 PM

As palavras, serão sempre uma mera forma de expressão do que pensamos e do que sentimos.
Cada um de nós, uns, mais habilmente que outros, tenta expressar por palavras o turbilhão de coisas que lhe existem dentro, e cada um de nós sente o mundo de uma forma diferente, o que muitas vezes torna dificil o entendimento de algumas reflexões.

De qualquer forma, e com a ambição de ganhar o doce prometido pelo Francisco, cometerei a ousadia de tentar clarificar a escritora.

Penso que o segundo parágrafo, é um complemento, senão um reforço, à ideia de que quando as coisas se mostram abertamente, perdem a sua genuinidade.

Segundo Hannah, um sábio, assim como um homem intrinsecamente bom, deixam de o ser genuinamente, no exacto momento em que se assumem, ou tomam consciência disso.

O verdadeiro sábio – aquele que sabe que não sabe - e um verdadeiramente homem bom, cultivam a sabedoria e o bem de uma forma de tal forma espontânea, que para eles aquilo que o comum mortal apelida de “sábio” e de “bom”, não é senão respeitarem a sua própria natureza.

Os verdadeiros actos de cultivar a sabedoria e a bondade, são aqueles que ficam para sempre impressos no coração. São tão mais nobres, puros e genuinos, quanto maior for a subtileza de serem fugazmente expressos apenas pelos actos em si, sem o absurdo da vanglória de quem os practica.

Afixado por: Luz da Lua em agosto 21, 2004 01:44 AM

As palavras, serão sempre uma mera forma de expressão do que pensamos e do que sentimos.
Cada um de nós, uns, mais habilmente que outros, tenta expressar por palavras o turbilhão de coisas que lhe existem dentro, e cada um de nós sente o mundo de uma forma diferente, o que muitas vezes torna dificil o entendimento de algumas reflexões.

De qualquer forma, e com a ambição de ganhar o doce prometido pelo Francisco, cometerei a ousadia de tentar clarificar a escritora.

Penso que o segundo parágrafo, é um complemento, senão um reforço, à ideia de que quando as coisas se mostram abertamente, perdem a sua genuinidade.

Segundo Hannah, um sábio, assim como um homem intrinsecamente bom, deixam de o ser genuinamente, no exacto momento em que se assumem, ou tomam consciência disso.

O verdadeiro sábio – aquele que sabe que não sabe - e um verdadeiramente homem bom, cultivam a sabedoria e o bem de uma forma de tal forma espontânea, que para eles aquilo que o comum mortal apelida de “sábio” e de “bom”, não é senão respeitarem a sua própria natureza.

Os verdadeiros actos de cultivar a sabedoria e a bondade, são aqueles que ficam para sempre impressos no coração. São tão mais nobres, puros e genuinos, quanto maior for a subtileza de serem fugazmente expressos apenas pelos actos em si, sem o absurdo da vanglória de quem os practica.

Afixado por: Luz da Lua em agosto 21, 2004 01:45 AM
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