Antigamente todos os contos para crianças terminavam com a mesma frase, e foram felizes para sempre, isto depois de o Príncipe casar com a Princesa e de terem muitos filhos. Na vida, é claro, nenhum enredo remata assim. As Princesas casam com os guarda-costas, casam com os trapezistas, a vida continua, e os dois são infelizes até que se separam. Anos mais tarde, como todos nós, morrem. Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre.
José Eduardo Agualusa, in 'O Vendedor de Passados'
Publicado por pns em agosto 25, 2004 06:50 PMO autor tem razão, mas não sempre. Há raras exceções de casais felizes até o fim, embora, com frequência, um cônjuge se sacrificando mais que o outro. Se esse sacrifício lhe é menos penoso que a solidão, somente ele pode dizer. Mas não diz,por pudor. Há muito heroísmo anônimo nos casamentos. Por sua vez, a persistência e a "imaginação" podem ajudar na manuteção do casamento. Casais podem enjoar e "desenjoar" inúmeras vezes, algo mais econômico que sucessivos enjôos, com sucessivas parceiras, porque tudo um dia acaba.
Afixado por: Francisco C. Pinheiro Rodrigues em agosto 25, 2004 11:06 PM