A pessoa ou instituição que encarregamos de nos tornar felizes têm o direito de se queixarem se lhes recordarmos que, apesar de tudo, continuamos livres e senhores de recalcitrar. Tudo o que não conseguimos realizar sós, diminui a nossa liberdade. O doente nas mãos do médico é como a sociedade nas mãos do salvador - herói ou partido.
Como? Encarregamo-nos de organizar a sociedade - isto é, vós próprios, e depois, pretendeis continuar livres.
Precisamente porque não existe sociedade económica pura, toda a organização científica da economia contém em si a afirmação de uma mística - quer dizer, um credo estatal que atinge também a vida interior, e, assim como o organizador deve eliminar toda a heterodoxia económica, terá igualmente de eliminar as heterodoxias interiores.
Uma sociedade inteiramente orientada do ponto de vista económico e totalmente livre espiritualmente é uma contradição.
Cesare Pavese, in 'O Ofício de Viver'
Publicado por pns em setembro 2, 2004 04:32 PMLenvado-se em conta o sistema engendrado em que vivemos,o conceito de liberdade é bem reduzido.Há uma rede de conexões que agendam os nossos dias.Espiritualmente não tenho dúvida que somos livres(enquanto não existir formas de comercializar-banalizar),todavia de que adianta um espírito livre e um corpo escravo de suas obrigações para um corpo maior(sociedade)?
Afixado por: Phil em setembro 2, 2004 10:18 PM