As sociedades são conduzidas por agitadores de sentimentos, não por agitadores de ideias. Nenhum filósofo fez caminho senão porque serviu, em todo ou em parte, uma religião, uma política ou outro qualquer modo social do sentimento.
Se a obra de investigação, em matéria social, é portanto socialmente inútil, salvo como arte e no que contiver de arte, mais vale empregar o que em nós haja de esforço em fazer arte, do que em fazer meia arte.
Fernando Pessoa, in 'Notas Autobiográficas e de Autognose'
Publicado por pns em setembro 6, 2004 01:54 PMEis, um desses raciocínios que constituem uma meia-verdade, que pode induzir muito boa gente em erro; ou seja, a arte é um caminho, a filosofia outro, a ciência outro, caminhos que só evoluem quando existe predisposição para a interacção, o que significa que se inspiram mutuamente, contribuindo para o desenvolvimento autonomo de cada área. A religião, a economia e a política, são de natureza não criativa, ou seja, vampirizam as energias criativas das áreas supracitidas; distorcem e mistificam, estigmatizam e ostracizam, impedem a vida de fluir, crescer e frutificar, aliás contribuem para o seu aniquilamento.
Afixado por: Rodrigo Ribeiro em setembro 7, 2004 08:06 AM