setembro 07, 2004

O Homem Deveria ser a Medida de Tudo

O homem deveria ser a medida de tudo. De facto, ele é um estranho no mundo que criou. Não soube organizar este mundo para ele, porque não possuía um conhecimento positivo da sua própria natureza. O enorme avanço das ciências das coisas inanimadas em relação às dos seres vivos é, portanto, um dos acontecimentos mais trágicos da história da humanidade. O meio construído pela nossa inteligência e pelas nossas intenções não se ajusta às nossas dimensões nem à nossa forma. Não nos serve. Sentimo-nos infelizes. Degeneramos moralmente e mentalmente.

São precisamente os grupos e as nações em que a civilização industrial atingiu o apogeu que mais enfraquecem. Neles, o retorno à barbárie é mais rápido. Permanecem sem defesa perante o meio adverso que a ciência lhes forneceu. Na verdade, a nossa civilização, tal como as que a antecederam, cirou condições em que, por razões que não conhecemos exactamente, a própria vida se torna impossível. A inquietação e a infelicidade dos habitantes da nova cidade têm origem nas instituições políticas, económicas e sociais, mas sobretudo na sua própria degradação. São vítimas do atraso das ciências da vida em relação às da matéria.

Alexis Carrel, in 'O Homem esse Desconhecido'

Publicado por pns em setembro 7, 2004 03:20 PM
Comentários

Resta a pergunta após tanto alvoroço:o que é uma sociedade,uma nação e um indivíduo?
Uma nação é aquela que principia a forma de coagir uma sociedade,uma sociedade é a forma de coagir o indivíduo e o indivíduo é a forma de coagir a si mesmo.Alterações na forma de ser do homem mexe em gradual período com o topo(nação).É como se uma serpente devorasse a própria cauda.
Como reagir a esta barbaridade que fica mais complexa e cruel ao indivíduo em prol de uma "ordem" institucionalizada que um dia ele mesmo teve que ordenar e hoje contradiz?

Afixado por: Phil em setembro 8, 2004 01:09 AM
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