Cada indivíduo vê o mundo - e o que este tem de acabado, de regular, de complexo e de perfeito - como se se tratasse apenas de um elemento da Natureza a partir do qual tivesse que constituir um outro mundo, particular, adaptado às suas necessidades. Os homens mais capazes tomam-no sem hesitações e procuram na medida do possível comportar-se de acordo com ele. Há outros que não se conseguem decidir e que ficam parados a olhar para ele. E há ainda os que chegam ao ponto de duvidar da existência do mundo.
Se alguém se sentisse tocado por esta verdade fundamental, nunca mais entraria em disputas e passaria a considerar, quer as representações que os outros possam fazer das coisas, quer a sua, como meros fenómenos. Porque de facto verificamos quase todos os dias que aquilo que um indivíduo consegue pensar com toda a facilidade pode ser impossível de pensar para um outro. E não apenas em relação a questões que tivessem uma qualquer influência no bem estar ou no sofrimento das pessoas, mas também a propósito de assuntos que nos são totalmente indiferentes.
Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões'
Publicado por pns em setembro 9, 2004 05:27 PMEinstein pensava o mesmo, com outras palavras. Dizia, aproximadamente, que sempre devemos fazer um esforço mental para nos colocarmos na posição daquele que discorda de nós.Ver a situação sob o prisma dele. Todavia, há um limite para esse esforço: quando se constata, honestamente,sua má-fé. Se um enganador, um mau caráter, quer nos convencer a fazer algo que só serve a seus maus propósitor - em prejuízo nosso ou de pessoas que devemos proteger - seria abjeta fraqueza nossa não reagir, "compreende-lo". Podemos até entender a inata, ou adquirida, distorção de seu caráter pelo ambiente,mas sem que essa compreensão o estimule a prosseguir encarando os demais como idiotas manipuláveis.Há limites para tudo, até para a compreensão.
Afixado por: Francisco César Pinheiro Rodrigues em setembro 9, 2004 09:24 PM