Os ideais da democracia e da liberdade chocam com o facto brutal da sugestibilidade humana. Um quinto de todos os eleitores pode ser hipnotizado quase num abrir e fechar de olhos, um sétimo pode ser aliviado das suas dores mediante injecções de água, um quarto responderá de modo pronto e entusiástico à hipnopédia. A todas estas minorias demasiado dispostas a cooperar, devemos adicionar as maiorias de reacções menos rápidas, cuja sugestibilidade mais moderada pode ser explorada por não importa que manipulador ciente do seu ofício, pronto a consagrar a isso o tempo e os esforços necessários.
É a liberdade individual compatível com um alto grau de sugestibilidade individual? Podem as instituições democráticas sobreviver à subversão exercida do interior por especialistas hábeis na ciência e na arte de explorar a sugestibilidade dos indivíduos e da multidão? Até que ponto pode ser neutralizada pela educação, para bem do próprio indivíduo ou para bem de uma sociedade democrática, a tendência inata a ser demasiado sugestionável? Até que ponto pode ser controlada pela lei a exploração da sugestibilidade extrema, por parte de homens de negócios e de eclesiásticos, por políticos no e fora do poder?
Aldous Huxley, in 'Regresso ao Admirável Mundo Novo'
Publicado por pns em setembro 19, 2004 10:12 AMEstes dados apresentados por Huxey são do tempo em que o behaviorismo era a máxima expressão da ciência psicológica. Huxley estava em dia com a ciência de seu tempo, era um intelectual que se destacava( não como proficional,psicólogo, por exemplo ele não era,mas como ensaísta) não só nas letras como, também, na biologia, na sociologia, na política, mas era humano e, como todo humano, era "filho" de seu tempo; mas como a ciência de seu tempo está hoje ultrapassada, logo, este texto também.
Afixado por: adriano freire em março 11, 2005 10:03 PM