setembro 21, 2004

A Base e o Progresso da Civilização

Os homens mais felizes e mais úteis são feitos de um conjunto harmonioso de actividades intelectuais e morais. E é a qualidade destas actividades e a igualdade do seu desenvolvimento que que conferem a este tipo a sua superioridade sobre os outros. Mas a sua intensidade determina o nível social de um dado indivíduo e faz dele um comerciante ou um director de banco, um pequeno médico ou um professor célebre, um presidente de uma junta de freguesia ou um presidente dos Estados Unidos. O desenvolvimento de seres humanos completos dever ser o objectivo dos nossos esforços. Só neles pode assentar uma civilização sólida.

Existe ainda uma classe de homens que, apesar de tão desarmónicos como os criminosos e os loucos, são indispensáveis à sociedade moderna. São os génios. Estes indivíduos caracterizam-se pelo crescimento monstruoso de uma das actividades psicológicas. Um grande artista, um grande cientista, um grande filósofo é geralmente um homem comum em que uma função se hipertrofiou. Pode também ser comparado a um tumor que se tivesse desenvolvido num organismo normal. Estes seres não equilibrados são, em geral, infelizes. Mas produzem grandes obras, das quais toda a sociedade beneficia. A sua desarmonia gera o progresso da civilização. A humanidade nunca alcançou nada por meio do esforço da multidão. É empurrada pela paixão de alguns indivíduos, pela chama da sua inteligência, pelo seu ideal de ciência, de caridade ou de beleza.

Alexis Carrel, in 'O Homem esse Desconhecido'

Publicado por pns em setembro 21, 2004 09:34 AM
Comentários

A. Carrel exagerou um pouco ao dizer que "A humanidade nunca alcançou nada por meio do esforço da multidão"(quis dizer "por meio dos homens muito equilibrados", porque essa era a comparação). Grandes estadistas, equilibrados - Washington, Lincoln, Adenauer - ajudaram a humanidade. Mas tem razão com relação às grandes intuições, descobertas científicas e obras de arte, fruto de seres obcecados e que examinam o mundo com um microscópio, enquanto o homem médio se contenta com uma visão geral. Freqüentemente, esses seres "tumorais" são de difícil convivência - até com eles mesmos.

Afixado por: Francisco C. Pinheiro Rodrigues em setembro 22, 2004 01:26 PM
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