setembro 24, 2004

A Vida Real de um Pensamento

A vida real de um pensamento dura apenas até ele chegar ao limite das palavras: nesse ponto, ele lapidifica-se, morre, portanto, mas continua indestrutível, tal como os animais e as plantas fósseis dos tempos pré-históricos. Essa realidade momentânea da sua vida também pode ser comparada ao cristal, no instante da cristalização.
Pois, assim que o nosso pensamento encontra as palavras, ele já não é interno, nem está realmente no âmago da sua essência. Quando começa a existir para os outros, ele deixa de viver em nós, como o filho que se desliga da mãe ao iniciar a própria existência. Mas diz também o poeta:

Não me confundais com contradições!
Tão logo se fala, já se começa a errar.

Arthur Schopenhauer, in 'Sobre o Ofício do Escritor'

Publicado por pns em setembro 24, 2004 03:46 PM
Comentários

Concerto parcialmente com o inflexível Schopenhauer. Os pensamentos não morrem ao se transformar em palavras,mas vivem sob o arquétipo de um significado velado(mesmo tendo conhecimento de que as palavras são vagas para expressar aquilo que pensamos a respeito,como muitos escritores mencionaram). Ele pode perder um significado primitivo dentro de nós ao se fixar em palavras,todavia se é da pá que precisamos...

Afixado por: Phil em setembro 24, 2004 10:58 PM
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