O olho do espírito em parte nenhuma pode encontrar mais deslumbramentos, nem mais trevas, do que no homem, nem fixar-se em coisa nenhuma, que seja mais temível, complicada, misteriosa e infinita. Há um espectáculo mais solene do que o mar, é o céu; e há outro mais solene do que o céu, é o interior da alma.
Fazer o poema da consciência humana, mas que não fosse senão a respeito de um só homem, e ainda nos homens o mais ínfimo, seria fundir todas as epopeias numa epopeia superior e definitiva. A consciência é o caos das quimeras, das ambições e das tentativas, o cadinho dos sonhos, o antro das ideias vergonhosas: é o pandemónio dos sofismas, é o campo de batalha das paixões. Penetrai, a certas horas, através da face lívida de um ser humano, e olhai por trás dela, olhai nessa alma, olhai nessa obscuridade. Há ali, sob a superfície límpida do silêncio exterior, combates de gigante como em Homero, brigas de dragões e hidras, e nuvens de fantasmas, como em Milton, espirais visionárias como em Dante. Sombria coisa esse infinito que todo o homem em si abarca, e pelo qual ele regula desesperado as vontades do seu cérebro e as acções da sua vida!
Victor Hugo, in 'Os Miseráveis'
Publicado por pns em setembro 29, 2004 07:25 PMEsta visão da complexidade da "mente" humana deveria nos servir de alerta sempre que, ousadamente, formos tentados a julgar pessoas, mesmos que venhamos a basear nossas opiniões sobre atos por elas praticados, pois, como bem alerta Vitor Hugo, atos podem ser originados a partir de pensamentos que nascem do turbilhão que é a consciência humana.
Portanto, julgar, quando necessário for, deve ser ato de razão, mas sempre regido pelo sentimento maior da compaixão.
Esta visão da complexidade da "mente" humana deveria nos servir de alerta sempre que, ousadamente, formos tentados a julgar pessoas, mesmos que venhamos a basear nossas opiniões sobre atos por elas praticados, pois, como bem alerta Vitor Hugo, atos podem ser originados a partir de pensamentos que nascem do turbilhão que é a consciência humana.
Portanto, julgar, quando necessário for, deve ser ato de razão, mas sempre regido pelo sentimento maior da compaixão.
Esta visão da complexidade da "mente" humana deveria nos servir de alerta sempre que, ousadamente, formos tentados a julgar pessoas, mesmos que venhamos a basear nossas opiniões sobre atos por elas praticados, pois, como bem alerta Vitor Hugo, atos podem ser originados a partir de pensamentos que nascem do turbilhão que é a consciência humana.
Portanto, julgar, quando necessário for, deve ser ato de razão, mas sempre regido pelo sentimento maior da compaixão.
Esta visão da complexidade da "mente" humana deveria nos servir de alerta sempre que, ousadamente, formos tentados a julgar pessoas, mesmos que venhamos a basear nossas opiniões sobre atos por elas praticados, pois, como bem alerta Vitor Hugo, atos podem ser originados a partir de pensamentos que nascem do turbilhão que é a consciência humana.
Portanto, julgar, quando necessário for, deve ser ato de razão, mas sempre regido pelo sentimento maior da compaixão.
É possível, pergunto, encontrar um autor com maior poder verbal que V. Hugo? O que ele diz do abismo que existe dentro de cada ser humano... Um homem pode estar na eminência de matar sua mulher, mas uma palavra desta, doce e sincera, pode transformar, num ápice, o ódio em perdão e até renovado amor. Nesse ponto, o Cristianismo, pregando a doçura,opera milagres. Por vezes, homens que sempre desprezaram e traíram as esposas, quando por elas abandonados - sem esperança de reatamento - matam seus "fardos" e até se suicidam, incapazes de suportar a ausência. Como se explica essa contradição senão pelo imenso mistério da alma? O próprio homem não se conhece.
Afixado por: Francisco C. Pinheiro Rodrigues em setembro 29, 2004 10:07 PMÉ possível, pergunto, encontrar um autor com maior poder verbal que V. Hugo? Um homem pode estar na eminência de matar sua mulher, mas uma palavra desta, doce e sincera, pode transformar, num ápice, o ódio em perdão e até mesmo em renovado amor. Nesse ponto, o Cristianismo, pregando a brandura,opera milagres. Por vezes, homens que sempre desprezaram e traíram as esposas, quando por elas abandonados - sem esperança de reatamento - matam seus "fardos" e até se suicidam, incapazes de suportar a ausência. Como se explica essa contradição senão pelo imenso abismo da alma?
Afixado por: Francisco C. Pinheiro Rodrigues em setembro 29, 2004 10:13 PMComo de praxe Victor Hugo,o grande "Don" da literatura francesa, teve grande participação nas questões morais do homem(o "infelizmente" se atesta nesta parte para mim) e nas análises do comportamento humano(talvez fruto dos altares e abismos que terminou passando) sabendo retratar quase incólume esta coisa vaga que nos possui e dá-nos vida, a alma.
Existe coisa mais profunda que o inevitável no ser humano,certamente que sim. E é esta essência chamada por alguns de alma que invalida o ser humano como ponto morto,mostrando suas seguidas alterações.Nada é fixo ou confiável quando trata-se deste inconcebível traje que ao menos conhecemos...
Penso sempre que a forma como avaliamos o mundo deve ser feita de dentro para fora,evitando cataclismas...difícil e impossível.