setembro 29, 2004

O Interior da Alma

O olho do espírito em parte nenhuma pode encontrar mais deslumbramentos, nem mais trevas, do que no homem, nem fixar-se em coisa nenhuma, que seja mais temível, complicada, misteriosa e infinita. Há um espectáculo mais solene do que o mar, é o céu; e há outro mais solene do que o céu, é o interior da alma.

Fazer o poema da consciência humana, mas que não fosse senão a respeito de um só homem, e ainda nos homens o mais ínfimo, seria fundir todas as epopeias numa epopeia superior e definitiva. A consciência é o caos das quimeras, das ambições e das tentativas, o cadinho dos sonhos, o antro das ideias vergonhosas: é o pandemónio dos sofismas, é o campo de batalha das paixões. Penetrai, a certas horas, através da face lívida de um ser humano, e olhai por trás dela, olhai nessa alma, olhai nessa obscuridade. Há ali, sob a superfície límpida do silêncio exterior, combates de gigante como em Homero, brigas de dragões e hidras, e nuvens de fantasmas, como em Milton, espirais visionárias como em Dante. Sombria coisa esse infinito que todo o homem em si abarca, e pelo qual ele regula desesperado as vontades do seu cérebro e as acções da sua vida!

Victor Hugo, in 'Os Miseráveis'

Publicado por pns em setembro 29, 2004 07:25 PM
Comentários

Esta visão da complexidade da "mente" humana deveria nos servir de alerta sempre que, ousadamente, formos tentados a julgar pessoas, mesmos que venhamos a basear nossas opiniões sobre atos por elas praticados, pois, como bem alerta Vitor Hugo, atos podem ser originados a partir de pensamentos que nascem do turbilhão que é a consciência humana.
Portanto, julgar, quando necessário for, deve ser ato de razão, mas sempre regido pelo sentimento maior da compaixão.

Afixado por: Eraldo Vilar Oliveira em setembro 29, 2004 09:07 PM

Esta visão da complexidade da "mente" humana deveria nos servir de alerta sempre que, ousadamente, formos tentados a julgar pessoas, mesmos que venhamos a basear nossas opiniões sobre atos por elas praticados, pois, como bem alerta Vitor Hugo, atos podem ser originados a partir de pensamentos que nascem do turbilhão que é a consciência humana.
Portanto, julgar, quando necessário for, deve ser ato de razão, mas sempre regido pelo sentimento maior da compaixão.

Afixado por: Eraldo Vilar Oliveira em setembro 29, 2004 09:07 PM

Esta visão da complexidade da "mente" humana deveria nos servir de alerta sempre que, ousadamente, formos tentados a julgar pessoas, mesmos que venhamos a basear nossas opiniões sobre atos por elas praticados, pois, como bem alerta Vitor Hugo, atos podem ser originados a partir de pensamentos que nascem do turbilhão que é a consciência humana.
Portanto, julgar, quando necessário for, deve ser ato de razão, mas sempre regido pelo sentimento maior da compaixão.

Afixado por: Eraldo Vilar Oliveira em setembro 29, 2004 09:07 PM

Esta visão da complexidade da "mente" humana deveria nos servir de alerta sempre que, ousadamente, formos tentados a julgar pessoas, mesmos que venhamos a basear nossas opiniões sobre atos por elas praticados, pois, como bem alerta Vitor Hugo, atos podem ser originados a partir de pensamentos que nascem do turbilhão que é a consciência humana.
Portanto, julgar, quando necessário for, deve ser ato de razão, mas sempre regido pelo sentimento maior da compaixão.

Afixado por: Eraldo Vilar Oliveira em setembro 29, 2004 09:07 PM

É possível, pergunto, encontrar um autor com maior poder verbal que V. Hugo? O que ele diz do abismo que existe dentro de cada ser humano... Um homem pode estar na eminência de matar sua mulher, mas uma palavra desta, doce e sincera, pode transformar, num ápice, o ódio em perdão e até renovado amor. Nesse ponto, o Cristianismo, pregando a doçura,opera milagres. Por vezes, homens que sempre desprezaram e traíram as esposas, quando por elas abandonados - sem esperança de reatamento - matam seus "fardos" e até se suicidam, incapazes de suportar a ausência. Como se explica essa contradição senão pelo imenso mistério da alma? O próprio homem não se conhece.

Afixado por: Francisco C. Pinheiro Rodrigues em setembro 29, 2004 10:07 PM

É possível, pergunto, encontrar um autor com maior poder verbal que V. Hugo? Um homem pode estar na eminência de matar sua mulher, mas uma palavra desta, doce e sincera, pode transformar, num ápice, o ódio em perdão e até mesmo em renovado amor. Nesse ponto, o Cristianismo, pregando a brandura,opera milagres. Por vezes, homens que sempre desprezaram e traíram as esposas, quando por elas abandonados - sem esperança de reatamento - matam seus "fardos" e até se suicidam, incapazes de suportar a ausência. Como se explica essa contradição senão pelo imenso abismo da alma?

Afixado por: Francisco C. Pinheiro Rodrigues em setembro 29, 2004 10:13 PM

Como de praxe Victor Hugo,o grande "Don" da literatura francesa, teve grande participação nas questões morais do homem(o "infelizmente" se atesta nesta parte para mim) e nas análises do comportamento humano(talvez fruto dos altares e abismos que terminou passando) sabendo retratar quase incólume esta coisa vaga que nos possui e dá-nos vida, a alma.
Existe coisa mais profunda que o inevitável no ser humano,certamente que sim. E é esta essência chamada por alguns de alma que invalida o ser humano como ponto morto,mostrando suas seguidas alterações.Nada é fixo ou confiável quando trata-se deste inconcebível traje que ao menos conhecemos...
Penso sempre que a forma como avaliamos o mundo deve ser feita de dentro para fora,evitando cataclismas...difícil e impossível.

Afixado por: Phil em setembro 30, 2004 12:54 AM
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