A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social levou, na definição de toda a realização humana, a uma evidente degradação do ser em ter. A fase presente da ocupação total da vida social em busca da acumulação de resultados económicos conduz a uma busca generalizada do ter e do parecer, de forma que todo o «ter» efectivo perde o seu prestígio imediato e a sua função última. Assim, toda a realidade individual tornou-se social e directamente dependente do poderio social obtido.
(...) O espectáculo é o herdeiro de toda a fraqueza do projecto filosófico ocidental, que foi uma compreensão da actividade dominada pelas categorias do ver; assim como se baseia no incessante alargamento da racionalidade técnica precisa, proveniente deste pensamento. Ele não realiza a filosofia, ele filosofa a realidade. É a vida concreta de todos que se degradou em universo especulativo.
A filosofia, enquanto poder do pensamento separado, e pensamento do poder separado, nunca pode por si própria superar a teologia. O espectáculo é a reconstrução material da ilusão religiosa. A técnica espectacular não dissipou as nuvens religiosas onde os homens tinham colocado os seus próprios poderes desligados de si: ela ligou-os somente a uma base terrestre. Assim, é a mais terrestre das vidas que se torna opaca e irrespirável. Ela já não reenvia para o céu, mas alberga em si a sua recusa absoluta, o seu falaccioso paraíso. O espectáculo é a realização técnica do exílio dos poderes humanos num além; a cisão acabada no interior do homem.
Guy Debord, in 'A Sociedade do Espectáculo'
Publicado por pns em novembro 3, 2004 04:18 PMLUTAR...LUTAR!
UNIVERSITÁRIO,
O Ensino Superior Público está, neste momento "tendencialmente privado". Hoje no Ensino Superior Público o financiamento é cobrado à cabeça, como tal o ensino também feito à cabeça com a sua consequente diminuição de qualidade. Nunca num Estado onde a taxa de licenciados entre os 24 e os 64 anos é de apenas 9% se tomam decisões, políticas que em nada promovem um verdadeiro Ensino Superior Público de Excelência, a que todos temos direito, como serviço Público. Mais além disso, estas mesmas políticas, colocam em sério risco de exclusão, tanto colegas nossos, como outros que por falta de meios financeiros não o possam vir a ser.
Conscientes desse facto apelamos à participação geral de todos os estudantes na Manifestação Nacional a ter lugar em Lisboa dia 4 de Novembro.
ESTUDANTES EM LUTA: DIA 4 - LISBOA
ESTUDANTES DO SUPERIOR SAEM À RUA, CONTRA AS PROPINAS
(Esperemos que sem carga policial)
CONTRA AS PROPINAS
REVOGAÇÃO JÁ!
MANIFESTAÇÃO NACIONAL - LISBOA 4 DE NOVEMBRO.
A EDUCAÇÃO É UM DIREITO NÃO É UM PRIVILÉGIO!
CONTRA AS PROPINAS LUTAR, LUTAR!
Por ser brasileiro, não tenho conhecimento para opinar sobre o comentário. Quanto a Guy Debord, é pena que ele só se preocupe com a profundidade, não com a clareza. Mas, realmente, nas sociedades de massa, o dinheiro é a versão pagã de deus.Como dizia Nelson Rodrigues, compra até amor verdadeiro. Quanto aos fatos, mais importa o parecer do que o ser. A versão vale mil vezes mais que o fato. E o que é o fato? Você estava perto quando ele aconteceu?Isso rarissimamente ocorre. Dependemos de versões, um substituto que somos forçados a engulir,mesmo fazendo careta.
Afixado por: Francisco César Pinheiro Rodrigues em novembro 4, 2004 01:34 PM