Se quisermos avaliar a situação de uma pessoa pela sua felicidade, deve-se perguntar não por aquilo que a diverte, mas pelo que a aflige. Quanto mais insignificante for aquilo que, tomado em si mesmo, a aflige, tanto mais ela é feliz, pois é preciso um estado de bem-estar para impressionar-se com bagatelas: na infelicidade, nunca as sentimos.
Guardemo-nos de erguer a felicidade da nossa vida sobre um amplo fundamento, exigindo muito dessa felicidade: pois, estando apoiada sobre tal base, ela desaba mais facilmente, já que oferece muito mais oportunidades para acidentes, que não tardam em faltar. Portanto, a esse respeito, ocorre com o edifício da nossa felicidade o oposto do que ocorre com todos os demais, que se apoiam mais firmemente sobre um amplo fundamento.
Reduzir ao máximo as expectativas em relação aos nossos meios, sejam eles quais forem, é, pois, o caminho mais seguro para escaparmos de uma grande infelicidade.
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
Publicado por pns em novembro 18, 2004 09:40 AM Abster-se de expectativas, requer inicialmente um desapego nem sempre fácil de se conquistar, devido a dificuldade de se conciliar os nossos desejos quase sempre consumistas.
Mas se a pessoa simplesmente desejar: "quero ser feliz?" E nós como gênios da lâmpada, deveriamos pensar como Schopenhauer? Inverter a lente perceptiva do problema "felicidade" não traz soluções, quando muito uma falsa luz. Felizmente quando ele diz, "Reduzir ao máximo espectativas" e mais a frente "o caminho mais seguro para escaparmos de uma grande infelicidade." não coloca nenhuma receita de bolo.
Quanto a felicidade residir na simplicidade concordo. Quanto aos meios para se obter essa simplicidade é que são complexos... Paradoxal...