Era uma linda invenção de Esopo a do moscardo que, sentado no eixo da roda, dizia: «Quanta poeira faço levantar!» Assim há muitas pessoas vãs que quando um negócio marcha por si ou vai sendo movido por agentes mais importantes, desde que estejam relacionados com ele por um só pormenor, imaginam que são eles quem conduz tudo: os que têm que ser facciosos, porque toda a vaidade assenta em comparações. Têm de ser necessariamente violentos, para fazerem valer as suas jactâncias. Não podem guardar segredo, e por isso não são úteis para ninguém, mas confirmam o provérbio francês: Beaucoup de bruit, peu de fruit.
Este defeito não é, porém, sem utilidade para os negócios políticos: onde houver uma opinião ou uma fama a propagar, seja de virtude seja de grandeza, esses homens são óptimos trombeteiros.
(...) A vaidade ajuda a perpetuar a memória dos homens, e a virtude nunca foi considerada pela natureza humana como digna de receber mais do que um prémio de segunda mão. A glõria de Cícero, de Séneca, de Plínio o Moço, não teria durado tanto tempo se eles não fossem de algum modo vaidosos; a vaidade é como o verniz, que não só faz brilhar, mas também durar, as madeiras.
(...) As desculpas, as reservas, a própria modéstia, bem reguladas, não são senão artes de ostentação; e entre estas artes não há melhor do que aquela de que Plínio falou, e que consiste em ser liberal de louvores e de elogios para com os outros, sobre os pontos em que cada qual possui alguma perfeição. Plínio disse-o muito lindamente: «Ao louvardes outrem, prestareis justiça a vós próprios; porque aquele que louvais ou é superior ou é inferior a vós, quanto ao objecto do elogio; se ele é inferior, mas digno de ser louvado, vós mais dignos sois, se ele é superior, e indigno de ser louvado, menos indignos sois vós». Os vaidosos são o escárnio dos homens sábios, a admiração dos tolos, os ídolos dos parentes, os escravos das suas próprias jactâncias.
Francis Bacon, in 'Da Vanglória'
Publicado por pns em novembro 25, 2004 01:53 PMEm muito nos enganamos quando vangloriamos alguém. Pensamos serem dignos de nossa atenção e confiança, uma espécie única e difícil de encontrar. Todavia a vaidade gera uma máscara ilusória, onde mesquinhez e traição se misturam em um saco surpresa. Basta fechar os olhos e abrir a mão com uma inocência fecunda para ser jogadado a metros de distância. É preciso sempre rever os conceitos de quem ao menos conhece o que está por trás da alma apaziguadora e comovente.Ela pode estar escondendo uma faca.,assim como pode estar com um presente.Apenas o convívio e o tempo diz a forma de lidar e suas benecesses e defeitos.
Afixado por: Phil em novembro 26, 2004 06:40 PMEm muito nos enganamos quando vangloriamos alguém. Pensamos serem dignos de nossa atenção e confiança, uma espécie única e difícil de encontrar. Todavia a vaidade gera uma máscara ilusória, onde mesquinhez e traição se misturam em um saco surpresa. Basta fechar os olhos e abrir a mão com uma inocência fecunda para ser jogadado a metros de distância. É preciso sempre rever os conceitos de quem ao menos conhece o que está por trás da alma apaziguadora e comovente.Ela pode estar escondendo uma faca.,assim como pode estar com um presente.Apenas o convívio e o tempo diz a forma de lidar e suas benecesses e defeitos.
Afixado por: Phil em novembro 26, 2004 06:49 PMEm muito nos enganamos quando vangloriamos alguém. Pensamos serem dignos de nossa atenção e confiança, uma espécie única e difícil de encontrar. Todavia a vaidade gera uma máscara ilusória, onde mesquinhez e traição se misturam em um saco surpresa. Basta fechar os olhos e abrir a mão com uma inocência fecunda para ser jogadado a metros de distância. É preciso sempre rever os conceitos de quem ao menos conhece o que está por trás da alma apaziguadora e comovente.Ela pode estar escondendo uma faca.,assim como pode estar com um presente.Apenas o convívio e o tempo diz a forma de lidar e suas benesses e defeitos.
Afixado por: Phil em novembro 26, 2004 06:55 PMSobre os trechos de Bacon cabe-nos dizer que tem razão em tudo, mas não há como escapar da vaidade e vanglória. Sobretudo nos tempos atuais, muito distantes da época do filósofo.Sem alguma propaganda os bons "produtos" - inclusive os intelectuais - não chegam a ser conhecidos. Não conhecidos, por excesso de modéstia,não se tornam úteis a seus semelhantes. E não esperem, tais acanhados, que os outros estejam em busca ansiosa de novos talentos. É o contrário. Se eles perceberem um real talento a primeira coisa que farão é erguer uma cortina de silêncio em torno do "atrevido".
Afixado por: Francisco César Pinheiro Rodrigues em novembro 28, 2004 07:17 PMLive Webcam Girls...We're college room mates just trying to have some fun!
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