A fidelidade (...) é a mais integral de todas as virtudes humanas. O homem participa numa batalha e, sem a fidelidade, não conhece a sua luta; apenas usa da violência, interpreta uma vontade, é instrumento de uma opinião. A fidelidade move-o desde a sua origem, é a primeira condição da consciência. Não se efectuam coisas novas sem fidelidade. Não se engrandece a piedade ou se priva com o mais simples sentimento, sem a fidelidade. Uma acção progressiva tem que ter raízes tumulares, raízes naquilo que encerrámos definitivamente - uma era, um conhecimento, uma arte, uma maneira de viver. A fidelidade, disse eu, assegura-nos o tempo de criar e o tempo de destruir o que se tornou inconforme à imagem do homem. Nada é digno de valor, sem fidelidade.
Agustina Bessa-Luís, in 'Alegria do Mundo'
Publicado por pns em novembro 30, 2004 01:13 PMSer fiel é ser confiante, dizer que é digno de negociações. É amar ao outro também,democrática, no momento que pensa-se no intercalar das vontades.
Afixado por: Phil em dezembro 1, 2004 03:53 PMAgustina soube demonstrar bem que felidade não é fixação ou perda de direitos,
Afixado por: Phil em dezembro 1, 2004 03:54 PMjá que acordos são realizados e que se no momento for por motivo pessoal quebrado,
Afixado por: Phil em dezembro 1, 2004 03:56 PMdeveria ser notificado, em amor ao semelhante. Nada mais íntegro que o sentimento da fidelidade na faculdade do coração humano!
Afixado por: Phil em dezembro 1, 2004 03:59 PMAgustina Bessa-Luís refere-nos neste excerto a fidelidade primária, a fidelidade a nós próprios e à nossa identidade. Sermos fiéis aos nossos princípios, crenças e à nossa natureza mais intrínseca. Fidelidade que deverá estar em conformidade com os nossos actos, pois se lutamos por um ideal, que tomemos esse ideal como nosso e que sejamos fiéis. Fidelidade às nossas origens e às nossas heranças. A criação e a destruição, em tudo devem à fidelidade dos homens nos seus valores, certos ou errados.
Nas relações humanas, a fidelidade a si mesmo e ao próximo são peças fundamentais no emaranhado de sentimentos que nos une ou repele.
Mas não me revejo na condição em que a fidelidade seja a primeira condição da consciência.
Saudações
Angélika
A fidelidade (...) é a mais integral de todas as virtudes humanas. Quando a autora coloca(...) a mesma está se referindo a fidelidade de todas as formas, porque a mesma, não específica qual é o tipo de fidelidade, ela se refere apenas à fidelidade. De fato, a fidelidade é a primeira condição da consciência, porque se não formos fiéis, qual será a forma de sustentação de um princípio? A vontade? Mas o que é a vontade? A vontade fez com que milhares pessoas matessem umas as outras, fez do egoísmo a força máxima de nossa era. E isso é bom? O mundo está bom hoje? Ou era melhor na época dos grandes reinados, ondes os cervos eram fiéis aos seus reis.
Algumas vezes devemos refletir, e até mesmo levar o assunto ao passado para podermos tirar melhores conclusões...
Audrey Ibis
Citação: "De fato, a fidelidade é a primeira condição da consciência, porque se não formos fiéis, qual será a forma de sustentação de um princípio? A vontade? Mas o que é a vontade? A vontade fez com que milhares pessoas matessem umas as outras, fez do egoísmo a força máxima de nossa era. E isso é bom?" Eu tomo consciência de mim e do mundo, mas não concordo que a fidelidade seja a primeira condição, a fidelidade vem posteriormente ao conhecimento. A vontade? A vontade humana não é necessariamente má, o humano também tem um lado bom, mas que desde sempre foi escondido e "posto de parte", considerado como a parte fraca. Mas porque não, ser a vontade a condição primária da consciência?
Saudações
Angélika