Face a qualquer acção, pondera os antecedentes e as consequências, e só depois, mas só depois!, começa a executá-la. Caso não procedas assim, grande será o teu ânimo no começo, dado que não cuidaste das dificuldades que a seguir se apresentam. Tempo depois, quando essas dificuldades, uma a uma, se apresentarem, abandonarás a tua tarefa de maneira vergonhosa.
Epicteto, in 'Manual'
Publicado por pns em dezembro 3, 2004 09:28 AMPonderar as dificuldades e evitá-las é desgostoso. 100% de certeza em algo nunca teremos.Na vida temos de arriscar sim, e não basta olhar para as porcentagens,pois elas podem ser ilusórias;os maiores prêmios estão nas menores taxas de porcentagens.
Se houver necessidade de se pagar algo a que se fez num futuro próximo, pagueis com satisfação sabendo que um dia aquele momento fez-te feliz e que poderá ser único na tua vida.
Passado demarca sentimentalismos repressores da vontade,podendo criar o que Freud chama de "trauma psíquico" que nada adianta. Chute o balde quando for necessário.
Aquela página ficará amarelada,demarcada,mas algo dela terá de ser seu proveito futuro,como experiência. Vergonha não há de ter, pague,se necessário fique com seqüelas, mas abre a boca e diga:"Este foi um grande momento de minha vida".
Há um óbvio contraste nos conselhos acima. Epitecto prega um máximo de análise antes de agir. Phil prefere a ação, mesmo com o risco de suportar terrível conseqüência.A divergência explica-se pela idade: o filósofo grego falou como velho experiente; Phil, como jovem impetuoso e idealista. Ambos têm razão, dependendo do momento e dos interesses envolvidos. Sem um certo arrojo não teríamos a aviação, os foguetes, a conquista espacial, etc. Por outro lado, a falta de análise, de prudência, provocou imensas mortandades em guerra e outros distúrbios; além de desgraças individuais, com falências, prisões e até suicídios. O melhor conselho é: se você arrisca apenas a própria pele, siga o Phil. Se arrisca também a pele de terceiros, siga Epitecto.
Afixado por: Francisco César Pinheiro Rodrigues em dezembro 4, 2004 12:48 PMO meu amigo Francisco foi muito prudente ao tecer tal comentário. As idades mostram claramente as divergências nas idéias. É certo que o que digo é apenas a minha opinião;não passei por casos graves que gerassem uma "desgraça individual",mas acho que através da reflexão vi que agora posso brilhar e amanhã posso declinar mediante algum fato inesperável. Não prego agir por impulsividade,passar em meio ao tiroteio,todavia não fiquemos remoendo vantagens e desvantagens,contando nos dedos cada uma.Tenhamos medo?Sim,é muito prudente tê-lo em um mundo truculento como este,em pessoas que ferem as outras a cada segundo,seja através de injustiças sociais,seja através da rejeição ou parceria involuntária com planos do governo. Sonhemos um pouco e quem sabe o jogo pode virar-se a seu favor.
Já dizia um filósofo grego:"muitas vantagens inacessíveis advêm de uma desvantagem inacreditável". Sendo assim, um fim pode ocasionar num recomeço...
Este pensamento me souou com ar céptico,mas não devemos esquecer que até mesmo a nossa consciência muitas vezes também nos engana, mesmo quando pensamos nos, prós e contras, certas vezes "calculamos" errado e o percurso não sai da melhor forma possível. Por isso que Pitágoras nunca errou, a sua arte era científica e não humanista, mas na raça reles que somos o mais provável é que dê errado, para que passemos por fatos vergonhosos. Digo isto,a salvo pelas escrituras de Shopenhauer,onde o mesmo dizia, que por mais que planejemos alguma coisa, o certo é dar errado. Sendo assim não devemos nos chatear quando uma certa situação não sai ao nosso agrado, porque não depende só da gente, existe o mundo inteiro ao nosso redor, para nos ajudar ou até mesmo para piorar as coisas.
Audrey Ibis