Passou no seu casamento por aquilo que é quase um facto universal - os indivíduos são diferentes uns dos outros. Basicamente, constituem um para o outro um enigma indecifrável. Nunca existe acordo total. Se cometeu algum erro, esse erro consistiu em ter-se esforçado demasiadamente por compreender totalmente a sua mulher e por não ter contado com o facto de, no fundo, as pessoas não quererem saber que segredos estão adormecidos na sua alma. Quando nos esforçamos demasiado por penetrar noutra pessoa, descobrimos que a impelimos para uma posição defensiva e que ela cria resistências porque, nos nossos esforços para penetrar e compreender, ela sente-se forçada a examinar aquelas coisas em si mesma que não desejava examinar. Toda a gente tem o seu lado obscuro que - desde que tudo corra bem - é preferível não conhecer.
Mas isto não é erro seu. É uma verdade humana universal que é indubitavelmente verdadeira, mesmo que haja imensas pessoas que lhe garantam desejar saber tudo delas próprias. É muito provável que a sua mulher tivesse muitos pensamentos e sentimentos que a tornassem desconfortável e que ela desejava ocultar de si mesma. Isto é simplesmente humano. É também por este motivo que tantas pessoas idosas se refugiam na própria solidão, onde não serão incomodadas. E é sempre sobre coisas de que elas não desejariam estar muito cientes. O senhor não é, obviamente, responsável pela existência destes conteúdos psíquicos. Se, apesar disto, ainda for atormentado por sentimentos de culpa, reflicta então sobre os pecados que não cometeu e que gostaria de ter cometido. Isto poderá eventualmente curá-lo dos seus sentimentos de culpa relativamente à sua mulher.
Carl Jung, in 'Cartas'
Publicado por pns em dezembro 4, 2004 10:23 AMTodo e cada indivíduo são único e ainda bem que assim é.
Desde que nascemos até ao nosso último dia, ainda nos resta alguma ignorância sobre nós mesmos. O nosso próprio conhecimento é consequência das provações que passamos ao longo dos anos.
Não podemos ser tão arrogantes ao ponto de querermos conhecer os outros, por mais próximos que nos sejam.
Num casamento, numa amizade, ou numa simples relação de conhecimento interpessoal, deparamo-nos sempre com surpresas de virtudes e defeitos. Há apenas que os aceitar, pois nós não somos perfeitos e intocáveis.
Na base de todo o meu discurso estão a diferença, a tolerância e a humildade, bases também da minha filosofia de vida.
Saudações
Angélika
Analisando as ações humanas, observamos o imediatismos dos fatos, a imagem e totalização desta como forma de referência à pessoa, gera um algo por vezes pior sem ao menos perceber! Vejamos o caso de alguém que gerou um furto. Lá estava o sujeito,indivíduo de pouca conversa e gerador de muitas conversas sob suas atitudes. Certa vez, este ao passar por uma padaria em plena manhã de franco movimento, ao invés de esperar,por vezes perdendo-se no tempo ou viajando para outros "intra-mundos", gera um ato imprevísível para a sua própria consciência que o permite sair do cotidiano: rouba um pão e sai correndo, gritando em fins de delírio.Um psicólogo classificaria o caso fictício como sendo uma forma de alívio mental,não loucura, uma fuga;vide a obra de Dostoievski´,Crime e Castigo. Raskolnikov(o personagem principal) mesmo sofrendo de problemas aparentemente de esquisofrenia, era normal,no entanto,mesmo assim chamavam-o de doido, e desregulava-o até chegar ao ponto de cometer um crime bárbaro, sabendo que, para ele,não bastava mais calcar-se contra si.Afinal, ignorara o suicídio...Havia um sombrio nele e isto o fez refletir sobre a sua solidão e sentido da vida/existência. Nada mais revelador o final do livro.Vale apena ler.
Afixado por: Phil em dezembro 7, 2004 01:30 AMAnalisando as ações humanas, observamos o imediatismos dos fatos, a imagem e totalização desta como forma de referência à pessoa, gera um algo por vezes pior sem ao menos perceber! Vejamos o caso de alguém que gerou um furto. Lá estava o sujeito,indivíduo de pouca conversa e gerador de muitas conversas sob suas atitudes. Certa vez, este ao passar por uma padaria em plena manhã de franco movimento, ao invés de esperar,por vezes perdendo-se no tempo ou viajando para outros "intra-mundos", gera um ato imprevísível para a sua própria consciência que o permite sair do cotidiano: rouba um pão e sai correndo, gritando em fins de delírio.Um psicólogo classificaria o caso fictício como sendo uma forma de alívio mental,não loucura, uma fuga;vide a obra de Dostoievski´,Crime e Castigo. Raskolnikov(o personagem principal) mesmo sofrendo de problemas aparentemente de esquisofrenia, era normal,no entanto,mesmo assim chamavam-o de doido, e desregulava-o até chegar ao ponto de cometer um crime bárbaro, sabendo que, para ele,não bastava mais calcar-se contra si.Afinal, ignorara o suicídio...Havia um sombrio nele e isto o fez refletir sobre a sua solidão e sentido da vida/existência. Nada mais revelador o final do livro.Vale a pena ler.
Afixado por: Phil em dezembro 7, 2004 01:30 AM