Foram os espíritos fortes e os espíritos malignos, os mais fortes e os mais malignos, que obrigaram a natureza a fazer mais progressos: reacenderam constantemente as paixões que adormecidas - todas as sociedades policiadas as adormecem -, despertaram constantemente o espírito de comparação e de contradição, o gosto pelo novo, pelo arriscado, pelo inexperimentado; obrigaram o homem a opor incessantemente as opiniões às opiniões, os ideais aos ideais.
As mais das vezes pelas armas, derrubando os marcos fronteiriços, violando as crenças, mas fundando também novas religiões, criando novas morais! Esta «maldade» que se encontra em todos os professores do novo, em todos os pregadores de coisas novas, é a mesma «maldade» que desacredita o conquistador, se bem que ela se exprime mais subtilmente e não mobilize imediatamente o músculo; - o que faz de resto com que desacredite com menos força! - O novo, de qualquer maneira, é o mal, pois é aquilo que quer conquistar, derrubar os marcos fronteiriços, abater as antigas crenças; só o antigo é o bem! Os homens de bem em todas as épocas, são aqueles que implantam profundamente as velhas ideias para lhes dar fruto, são os cultivadores do espírito. Mas todos os terrenos acabam por se esgotar, é preciso sempre que a charrua do mal aí volte.
Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'
Publicado por pns em dezembro 7, 2004 02:28 PMO Bem e o Mal são forças antagónicas que se equilibram mutuamente, ao longo dos tempos. Ambas são necessárias para a evolução. Nietzsche, chama forças do mal, às forças que conduziram à libertação das vozes e dos pensamentos. Os homens livres, vêem, pensam, criticam, agem e vivem segundo as suas crenças.
Um Mal? Não necessariamente.
Saudações
Angélika
A tal "charrua do Mal" apregoada por Nietzsche é inadimissível. Considerar, como em outra reflexão, que o mal promulgou novos progressos é admissível,consoante,chamar de vil os novos conceitos é por demais que contestável. Em primeiro lance, mui novos conceitos chegaram por acaso ou por uma inocência ou até mesmo boa vontade por parte da pessoa(não digo todas mas uma considerável parte). E dessa parte alguém a utilizou para conforto próprio(ganhar dinheiro licitamente) e para isso teve de propagar os vermes da miséria para conseguir um "progresso" social. Por exemplo, Ford fora o mal instrumento para a idéia do verdadeiro criador do carro(que nem eu lembro do nome,mas tive a felicidade de ter tal noção disto);o homem que procurou divulgar o consumo do petróleo em detrimento do carvão mineral no século XIX pregava o seu uso em atividades domésticos ou em simples artefatos decorativos para embelezar o lar,todavia sua idéia foi adquirida e canalizada para o consumo em massa e na queima para liberação de gases que são responsáveis por, pelo menos, 40% da poluição das grandes cidades!!!
É correto dizer que antigamente por possuirmos algo mais simplório, as coisas "andavam mais" como deveriam andar. Esperamos que mais idéias sejam incorporadas por quem tem a chance de mudar,torcendo para que seja algo um pouco menos degradante...
Por isso Friedrich Nietzsche, é mal compreendido, pois Phil, com todo o respeito pela sua opinião deixe-me argumentar o seguinte: a meu ver voçê não leu o excerto com o coração(sentimento), mas sim atraves de ideias preconcebidas e politicas, leiam com o coração e vai ver que a "charrua do mal", é para lavrar precisamente naquilo a que o seu comentário se opõe.
Afixado por: virgílio em dezembro 10, 2004 11:39 AMVirgílio,
Não consegui entender direito o que você quis diser com usar os "sentimentos". Nietzsche, apresenta-se no texto impregnado de conteúdo próprio,pondo um pouco de subjetividade no meio,mas tudo que reforce suas convicções contra o novo, a tal charrua(campestre) do mal.
Nietzsche,pelo pouco que sei, agiu por totalidade através de suas idéias com pitadas de sentimentalismo que o leva a ser um representante da ciência mal acabada,tendo por final a descrença total dos próprios conceitos.
Se você pudesse esclarecer mais sucintamente como um precursor de Freud insistiria em algo mais romântico, eu agradeceria muito.
Phil,
Não me interprete mal o que vou dizer, pois digo-o com todo o respeito pela sua pessoa.
Estou ciente de que o seu extenso vocabulário, tem sido um bom fazedor de grandes discursos que o colocam-o no centro de grandes conversas...de café. O dificil é ter ideias próprias para argumentar seja o que for,e dai a sua incoerência.
Voçê se opõe a ideia da charrua do mal, mas no entanto a defende na sua argumentação, porque aquilo a que voçê se opõe tem sido lavrado precisamente pela "charrua do mal",isto é quando eu ponho em causa uma injustiça, estou com as minhas ideias (charrua do mal) a lavrar essa injustiça para ver se ela acaba, logo as minhas ideias são más, aos olhos de quem defende essas injustiças, eu neste caso sou o mal.
A charrua do mal lavra o mal, e nunca o bem, dai, "...O novo, de qualquer maneira, é o mal, pois é aquilo que quer conquistar, derrubar os marcos fronteiriços, abater as antigas crenças;...".
Espero que me desculpe alguma petulância minha, mas o conhecimento sem experiência de causa...não nos permite muita das vezes ir para além das palavras, dai eu ter dito para voçê ler com o sentimento( com a experiencia de vida)....
P.S. "Pois o facto de ter passado fome, é proporcional ao valor que dou a comida" ( porque a experiencia de vida é portadora de sentimentos, que muitas das vezes as palavras desconhecem. )
Afixado por: virgílio em dezembro 14, 2004 10:54 AMVirgílio,
É certo que houve um equívoco da minha parte, quando incongruente pus:"A tal "charrua do Mal" apregoada por Nietzsche é inadimissível", sendo que ela de fato ocorre,independente da nossa vontade. É uma conjuntura.
"...O novo, de qualquer maneira, é o mal, pois é aquilo que quer conquistar, derrubar os marcos fronteiriços, abater as antigas crenças;...".
É bem verdade que o novo seja racionalmente o mal se mantivermos em mente a idéia de que o mal semeia apenas o mal.
"Considerar, como em outra reflexão, que o mal promulgou novos progressos é admissível,consoante,chamar de vil os novos conceitos é por demais que contestável. Em primeiro lance, mui novos conceitos chegaram por acaso ou por uma inocência ou até mesmo boa vontade por parte da pessoa(não digo todas mas uma considerável parte). E dessa parte alguém a utilizou para conforto próprio(ganhar dinheiro licitamente) e para isso teve de propagar os vermes da miséria para conseguir um "progresso" social. "
Neste trecho eu quis dizer que a tal "charrua do Mal" é utilizada malandramente pelas mentes malignas,todavia,na maioria dos casos, com as idéias inocentes daquelas pessoas que se denominaram "boas"(segregar atitudes é formar vilões e heróis,o que não é verdade. Existe uma miscelânea em nós, e muitas vezes a inocência na hora de pensar como utilizar aquela descoberta traz diferenças).
No incerto, "Esperamos que mais idéias sejam incorporadas por quem tem a chance de mudar,torcendo para que seja algo um pouco menos degradante.", prego que a tal charrua ocorra,mas de maneira menos impactante,para que tais malandragens tenham um pingo de sorte em bater na inteligência de um futuro melhor.
Quanto ao sentimento,houve uma discordância nos significados. Eu entendia como questão interiorana,você como experiência de vida(algo muito mais abrangente neste sentido). Agora garanto que o fato da experiência como algo apenas pessoal seja algo que não estou de acordo.Para quem não desfrutou de tais, serve a de outrens...livros,biografias e concepções diferentes. Isso é uma experiência em bônus para mim...
Phil
Eu ao dizer-lhe que a experiência de vida, deveria ser o sentimento a observar na leitura em causa, não era como algo pessoal, vazio de conhecimentos acadêmicos ou autodidaticos,Pelo contrário.
Agora não se deixe ficar preso as experiências dos outros ("...Para quem não desfrutou de tais, serve a de outrens...livros,biografias e concepções diferentes..."),pois essas na minha opinião devem ser um meio e não um fim.
Um meio para nos ajudar a criar o nosso proprio pensar, cujo fim é deixar transparecer o nosso sentir.
Porque senão seriamos meros macacos de repetição,
e repare quantos assim não hajem, em nome de interesses ou da vaidades pessoais em querer mostrar que sabem muito acerca de tudo. E esse agir muitas das vezes não se deve a falta de conhecimento, mas sim a importância excessiva que dão ao seu ego ( demonstrando assim pouca experiência de vida).
Quanto a sua argumentação, não tenho nada a objectar, pelo contrário, foi banstante elucidativa ...um bem haja para voçê.
Phil
Eu ao dizer-lhe que a experiência de vida, deveria ser o sentimento a observar na leitura em causa, não era como algo pessoal, vazio de conhecimentos acadêmicos ou autodidaticos,Pelo contrário.
Agora não se deixe ficar preso as experiências dos outros ("...Para quem não desfrutou de tais, serve a de outrens...livros,biografias e concepções diferentes..."),pois essas na minha opinião devem ser um meio e não um fim.
Um meio para nos ajudar a criar o nosso proprio pensar, cujo fim é deixar transparecer o nosso sentir.
Porque senão seriamos meros macacos de repetição,
e repare quantos assim não hajem, em nome de interesses ou da vaidades pessoais em querer mostrar que sabem muito acerca de tudo. E esse agir muitas das vezes não se deve a falta de conhecimento, mas sim a importância excessiva que dão ao seu ego ( demonstrando assim pouca experiência de vida).
Quanto a sua argumentação, não tenho nada a objectar, pelo contrário, foi banstante elucidativa ...um bem haja para voçê.