Muitas vezes tenho cismado em como é possível que cada homem ame a si mesmo mais que ao resto dos homens e, não obstante, dê menos valor à sua opinião de si próprio que à opinião dos outros. Se, pois, um deus ou um mestre sábio se apresentasse a um homem e lhe pedisse que não pensasse nada e não intentasse nada sem o expressar tão logo o concebesse, esse homem não suportaria tal situação um único dia que fosse. Muito mais respeito temos por aquilo que os nossos vizinhos possam pensar de nós do que por aquilo que pensamos a nosso próprio respeito.
Marco Aurélio, in 'Pensamentos e Reflexões'
Publicado por pns em dezembro 10, 2004 09:25 AMCurioso pensar que Marco Aurélio,este cidadão da Antiga Roma, estaria com uma mentalidade tão acertada sobre os atuais dias.
O ser humano perpetua-se ao longo do tempo com uma necessidade de algo mais para si.Desculpem a fuga parcial do tema,mas gostaria de abordar a questão da psicologia na mente e cérebro do indivíduo.Num desses meus mergulhos em revistas,encontrei uma pesquisa curiosa. Dizia que desde o nascimento da criança,o cérebro vêm se acostumando a seguir seus prazeres pessoais.Está aí a origem da individualidade.Daí entende-se o porque a agressividade de pessoas que tiveram uma infância turbulenta;ela possui ambições maiores do que aquelas que tiveram tudo ao seu alcance.Daí Júlio César, Hitler, Napoleão e outros tiranos de marca maior. Não digo que estes não possuam algo a mais como aptidão,mas que esses fatores foram o estopim para que fossem ativadas tais características digo com clareza.
Bem...voltando ao tema. Fóra a existência individual resultante de tal mecanismo(creio eu muito pouco esclarecido) há a resultante das opiniões,esta acoplada pelos que detem o poder de algo que move a sociedade, no nosso caso a roda monetária. Um milionário fala,a outra pessoa concorda,pois ele é o correto e tudo está materialmente ao seu alcance.Daí passam aos muitos,que concordam e optam pelas chamadas "opiniões coletivas",estas pensadas e arquitetadas por aquele milionário que vimos lá em cima. Ele possui influência e portanto a verdade e caminho. Se não quisermos ser tragados por esta multidão idiotizada de idólatras,teremos de ser anormais em um mundo em que isto requer despesas elevadas para tampar tais buracos criados.Estão aí na multidão representada os pseudos-normais da ação...
O homem que é moralmente inferior, manifesta essa inferioridade endeusando a sua personalidade acima de todas as coisas. Tal qual um animal selvagem, ele procura alimentar o seu egoísmo e o seu egocentrismo, "caçando" a opinião dos outros, a fim de, instintivamente, se proteger dos adversários e de se elevar entre os seus pares, camuflando as suas falsas virtudes, sob a capa de pura honestidade e modéstia. O que eu lamento, ao afirmar isto, é que passados que são milénios, em que esta citação foi proferida por Marco Aurélio, um dos maiores humanistas de todos os tempos, persistir ainda hoje, no interior da maioria dos homens que regem os destinos das chamadas civilizações, ditas democráticas e pluralistas.
Afixado por: humberto em dezembro 11, 2004 03:13 AMSe Marco Aurélio ainda fosse vivo eu lhe mandaria um e-mail explicando que não há razão para ficar cismado com a aparente contradição entre o amor a si mesmo e a excessiva valorização da opinião alheia. A explicação está no mêdo. Mêdo da crítica, da inveja, da desmoralização, do revide de algum inimigo da sua idéia ou iniciativa. Não é por amor à opinião pública que ele a valoriza tanto. Amor, mesmo, ele o reserva, em silêncio, para si mesmo. Evitando chocar a opinião pública - ou dos mais agressivos e poderosos - ele protege seu filho mais querido, ele mesmo - e talvez seus filhos carnais, que poderiam sofrer futuramente pela ousadia do pai.
Afixado por: Fran Cepiro, pseudônimo de F. C. Pinheiro Rodrigues em dezembro 11, 2004 10:12 AMO amor que sentimos por nós próprios, na minha opinião deverá ser consequência imediata do instinto de sobrevivência e subsistência. Desde muito pequenos que nos sentimos importantes o suficiente para sacrificar os outros por nós, e neste caso se reflecte o egoísmo infantil. Com o passar dos anos, aprende-se a humildade, a partilha e os actos de altruísmo que se podem praticar para com os semelhantes. Hoje sei que sou capaz de ajudar o próximo, mesmo que para tal eu saia lesada, mas satisfeita com meu acto. Pessoalmente não dou demasiada importância ao que possam pensar de mim, eu ajo consoante a minha consciência e por isso sou muitas vezes criticada.
Na minha humilde, opinião desde que esteja em paz comigo mesma, e desde que não tenha causado dano grave a ninguém, eu sou como sou e não tenciono mudar. Há quem me chame rebelde, outros activista, eu digo apenas que não fico de braços cruzados perante injustiças e abusos de poder. Tenho plena consciência da minha importância e da importância dos outros, (pelo menos estou em busca dessa sabedoria). Como tal sei quando devo ficar “calada”, pois não sou arrogante o suficiente para afirmar que faria melhor que “fulano de tal”, sei as minhas limitações de conhecimento e apenas tomo acção quando estou plena das minhas convicções.
Saudações
Angélika