A pluridade humana, condição básica da acção e do discurso, tem o duplo aspecto da igualdade e diferença. Se não fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus antepassados, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades das gerações vindouras. Se não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão a existir, os homens não precisariam do discurso ou da acção para se fazerem entender. Com simples sinais e sons poderiam comunicar as suas necessidades imediatas e idênticas.
Ser diferente não equivale a ser outro - ou seja, não equivale a possuir essa curiosa qualidade de «alteridade», comum a tudo o que existe e que, para a filosofia medieval, é uma das quatro características básicas e universais que transcendem todas as qualidades particulares. A alteridade é, sem dúvida, um aspecto importante da pluralidade; é a razão pela qual todas as nossas definições são distinções e o motivo pelo qual não podemos dizer o que uma coisa é sem a distinguir de outra.
Na sua forma mais abstracta, a alteridade está apenas presente na mera multiplicação de objectos inorgânicos, ao passo que toda a vida orgânica já exibe variações e diferenças, inclusive entre indivíduos da mesma espécie. Só o homem, porém, é capaz de exprimir essa diferença e distinguir-se; só ele é capaz de se comunicar a si próprio e não apenas comunicar alguma coisa - como sede, fome, afecto, hostilidade ou medo. No homem, a alteridade, que ele tem em comum com tudo o que existe, e a distinção, que ele partilha com tudo o que vive, tornam-se singularidades e a pluralidade humana é a paradoxal pluralidade dos seres singulares.
Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'
Publicado por pns em dezembro 11, 2004 11:55 PMHannah Arendt, resume no seu essencial o que é a pluralidade humana, cuja sua errada interpretação tem feito correr muito suor, sangue e lágrimas no percurso da humanidade até aos dias de hoje. É um facto que as diferenças entre os seres humanos existem, e poucos são aqueles que descortinam as suas igualdades. Uns mais inteligentes que outros, uns emocionalmente mais fortes do que outros, raças diferentes, credos diferentes, culturas diferentes, e são estes "diferentes" que têm fomentado desde sempre as guerras e os ódios, devido ao preconceito, á ignorância, á intolerância e incompreensão do homem relativamente aos seus outros que são diferentes de si. Para mim, e naturalmente há quem não concorda, a pedra basilar para evolução e sobrevivência da civilização humana é a de nos conhecermos, de nos compreendermos, de nos tolerarmos e condescendermos as nossas diferenças. O homem tem de amar o outro homem, no que este contem de virtude e defeito, para subsistir, e não há outro caminho.
Afixado por: humberto em dezembro 13, 2004 01:28 PMA condição de alteridade preconizada por Aurendt é primorosa;é a prática de Confúcio acima da elevação ao quadrado.Ghandi,Martin Luther King e, principalmente, Madre Teresa de Calcutá são preconizadores do conceito de alteridade, e por sua vez pérolas únicas da existência humana,devendo ser objetos não apenas de admiração,mas de meta a ser cumprida. Olhem para a pessoa,mas não esqueça de seus intentos...
Sejamos plurais,mas não deixemos de possuir alteridade nos vossos olhos.Isto é o autêntico espírito evoluído,ou se preferir, o ser humano plenamente racional e humano. Termino o breve comentário com a brilhante frase proferida por Martin Luther King:“Ou aprendemos a viver como irmãos, ou vamos morrer juntos como idiotas". Não sejamos contraditórios pelo menos nesse ponto...por favor.
Afixado por: Phil em dezembro 15, 2004 01:22 AMA condição de alteridade preconizada por Aurendt é primorosa;é a prática de Confúcio acima da elevação ao quadrado.Ghandi,Martin Luther King e, principalmente, Madre Teresa de Calcutá são preconizadores do conceito de alteridade, e por sua vez pérolas únicas da existência humana,devendo ser objetos não apenas de admiração,mas de meta a ser cumprida. Olhem para a pessoa,mas não esqueça de seus intentos...
Sejamos plurais,mas não deixemos de possuir alteridade nos vossos olhos.Isto é o autêntico espírito evoluído,ou se preferir, o ser humano plenamente racional e humano. Termino o breve comentário com a brilhante frase proferida por Martin Luther King:“Ou aprendemos a viver como irmãos, ou vamos morrer juntos como idiotas". Não sejamos contraditórios pelo menos nesse ponto...por favor.
Afixado por: Phil em dezembro 15, 2004 01:23 AM