dezembro 14, 2004

A Justa Medida

As necessidades do corpo são a justa medida do que cada um de nós deve possuir. Exemplo: o pé só exige um sapato à sua medida. Se assim considerares as coisas, respeitarás em tudo quanto faças as devidas proporções. Se ultrapassares estas proporções, serás, por tal maneira de agir, necessariamente desregrado como se um precipício te seduzisse. O sapato é exemplo ainda deste estado de coisas: se fores para além do que o teu pé necessita, não tardará muito que anseies por um sapato dourado, por um sapato de púrpura depois, finalmente por um sapato bordado. Uma vez que se menospreze a justa medida, deixa de haver qualquer limite que justos torne os nossos propósitos.

Epicteto, in 'Manual'

Publicado por pns em dezembro 14, 2004 09:49 AM
Comentários

Consagrado pensamento este!
As necessidades do corpo humano não servem para suas utilidades.Querem o sapato para serem civilizados,mas também querem a qualidade do substrato no conforto e, principalmente, na exibição do mesmo.Se não bastar, desejariam que haja algo além de uma simples necessidade, algo que destaque,que acomode e por sua vez que sirva você,sem ter que se esforçar;outros estariam a fazer algo por você em troca de um componente poderoso do nosso sistema...escravos...

Afixado por: Phil em dezembro 15, 2004 07:20 PM

P.S:
A eterna insatisfação do ser humano resume também a situação da nunca atingível "justa medida". Por mais filosófica que a pessoa seje, repudiando o dinheiro, buscando satisfações interioranas ou em algo mais acessível,natural e simples, seria impossível afirmar que esta pessoa esteje perfeitamente satisfeita. É preciso cultivar anos de filosofia oriental para que o forte e constante aprendizado da infelicidade ocidental seja desconstruído.

Afixado por: Phil em dezembro 15, 2004 07:29 PM

Como resumir o essencial do consumismo, Epicteto consegiu-o!

Não há limites para o consumo, cada vez mais desenfreado, e em "peças" de utilidade duvidosa.
Eu acho impressionante a quantidade de adereços que são "oferecidos" e as pessoas compram num sentimento de posse, irresistível.
Eu considero o consumismo, um escape perigoso, um preenchimento de um qualquer vazio na nossa existência.
Por isso se diz, e com toda a verdade, que não se deve ir a um "shopping" quando se anda deprimida.
Acaba-se sempre por comprar algo, que depois nem gostamos e nunca usaremos.
O mal está nas próprias pessoas, que não se sentem bem consigo, nem com a vida.

Quantas vezes, ouvir um pássaro cantar, pisar as folhas secas no chão, e ver um pôr-do-sol me trouxe mais felicidade que aquela carteira que comprei e nunca mais usei??? Dá que pensar!

Saudações
Angélika

Afixado por: Angélika em dezembro 17, 2004 09:20 PM

Abençoado, Epicteto!!!

Não te conhecia,e já dizia para mim mesmo:
-E graças dou pelo facto de achar que a vida é fácil, porque desta maneira o meu viver, é simples e coerente, pois assim refreio a ambição e afasto a pobreza....e é essa a minha
"Justa Medida", ter o necessario, porque para viver não é preciso muito, dai a sua facilidade.

P.S.: As vezes penso que estou enganado, porque me dizem que estou errado, mas como sei que aquilo que digo observa a justiça, e não o meu ego, e dai fico tranquilo, pois sei que mais cedo ou mais tarde, o real valor das minhas palavras vira ao de cima....OBRIGADO Epicteto

Afixado por: virgílio em dezembro 22, 2004 04:31 PM
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