dezembro 15, 2004

O Verdadeiro Homem

É evidente que a natureza se preocupa bem pouco com o que o homem tem ou não no espírito. O verdadeiro homem é o homem selvagem, que se relaciona com a natureza tal como ela é. Assim que o homem aguça a sua inteligência, desenvolve as suas ideias e a forma de as exprimir, ou adquire novas necessidades, a natureza opõe-se aos seus desígnios em toda a linha. Só lhe resta violentá-la, continuamente. Ela, pelo seu lado, também não fica quieta. Se ele suspende por momentos o trabalho que se impusera, ela torna-se de novo dominadora, invade-o, devora-o, destrói ou desfigura a sua obra; dir-se-ia que acolhe com impaciência as obras-primas da imaginação e da perícia do homem.

Que importam à ronda das estações, ao curso dos astros, dos rios e dos ventos, o Parténon, São Pedro de Roma e tantas outras maravilhas da arte? Um tremor de terra ou a lava de um vulcão reduzem-nos a nada; os pássaros farão os seus ninhos nas suas ruínas; os animais selvagens irão buscar os ossos dos construtores aos seus túmulos entreabertos. Mas o próprio homem, quando se entrega ao instinto selvagem que está no fundo da sua natureza, não se alia ele aos outros elementos para destruir as suas mais belas obras?

Eugène Delacroix, in 'Diário'

Publicado por pns em dezembro 15, 2004 09:11 AM
Comentários

Delacroix justifica de forma isenta de erros a tal "evolução" do homem.

Vamos em parte. Quando na natureza, o jovem humano, não conhecedor dos diversos mecanismos que os circunda, felicita-se com pequenas coisas e gestos,alegrando sempre com os inúmeros fatos novos(porque tudo é novo),para mais tarde acostumar-se e aguardar novo componente impressionante. Com o passar do tempo, percebe-se a excassez da novidade.A imagem deste tipo de ócio é a sua agonia.É aí que o próprio homem entra como feitor do impressionante, do algo que ultrapasse a já conhecida lei da natureza. Faz assim ao seu modelo, um prédio mais alto(substituindo a girafa), um carro mais rápido(substituindo a avestruz) e dentre outros,possíndo o intuito de substituir o magnânimo de que um dia a natureza o ofereceu para conviver. Mostram assim o teor civilizatório,o poderio do humanismo nas relações da vida...e se destroem,geram miasmas sociais,criam trilhas de violências animais,vegetais ou humanas,para no final ruir com a tal obra grandiosa. Daquilo,nascerá mais lares,novas vidas,novos ecossistemas...e dizer que já fizeram grande obra,após tão maravilhosa feição natural...

Afixado por: Phil em dezembro 16, 2004 12:44 AM
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