janeiro 21, 2005

Curar o Intelecto

Deve excogitar-se o modo de curar o intelecto e purificá-lo tanto quanto possível desde o começo, a fim de que entenda tudo felizmente sem erro e da melhor maneira. Donde se poderá já deduzir que quero encaminhar todas as ciências para um só fim e escopo, a saber, chegar à suma perfeição humana de que falamos; e assim tudo o que nas ciências não nos leva ao nosso fim precisa de ser rejeitado como inútil; isto é, para usar uma só palavra, todas as nossas acções, assim como os pensamentos, hão-de ser dirigidos para esse fim. Mas visto que é necessário viver enquanto cuidamos de o conseguir e nos esforçamos por colocar o intelecto no caminho recto, somos obrigados antes de tudo a supor como boas algumas regras de vida, a saber:

I. Falar ao alcance do vulgo e fazer tudo o que não traz nenhum impedimento para atingirmos o nosso escopo. Com efeito, disso podemos tirar não pequeno proveito, contanto que nos adaptemos, na medida do possível, à sua capacidade; acresce que desse modo oferecerão ouvidos prontos para a verdade.

II. Dos prazeres somente gozar quanto basta para a consecução da saúde.

III. Por último, procurar o dinheiro ou outra coisa qualquer só enquanto chega para o sustento da vida e da saúde, imitando os costumes da sociedade que não se opõem a nosso fim.

Baruch Espinoza, in 'Tratado da Correcção do Intelecto'

Publicado por pns em janeiro 21, 2005 12:30 AM
Comentários

Espinosa põe meras lições teóricas. O ser humano quando dispõe de benesses,fala alto para si. Limitar prazeres terrenos? Muitos segreram esta atitude ao puro e ao pecador, e por muitas vezes nem o dito "puro", escolástico e atento aos ansejos de Deus, age como espirituoso. Ele também peca, pois sendo homem, busca por satisfações que o façam para dizer-lhe proveitosas,um estímulo à continuação da vida. Tal cura é penosa quando solidifica-se na criança em seus gestos essênciais recebidos. Talvez não existam limites para tal cura...

Afixado por: Phil em janeiro 23, 2005 02:47 PM
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