Lembra o retiro que te oferece esse pequeno domínio que és tu mesmo; acima de tudo, não te inquietes nem te oponhas, mas permanece livre e encara as coisas virilmente, como homem, como cidadão, como mortal. E, naquilo em que meditares mais frequentemente, estejam presentes estas duas verdades fundamentais: uma, que as coisas não afectam a alma, mas permanecem imóveis, fora dela, e as nossas perturbações resultam unicamente da opinião interior que a alma delas forma; outra, que tudo quanto contemplas mudará dentro de um instante e não mais existirá. Pensa em quantas mudanças já assististe. O cosmos é mutação; a vida, opinião.
Se suprimires a tua opinião sobre aquilo que te parece causar sofrimento, alcançarás perfeita segurança. Tu, quem? A razão. Mas eu não sou apenas razão. Seja. Então, que a razão não se perturbe a si mesma. Mas se outra parte de ti sofrer, que ela opine sobre si própria.
Marco Aurélio, in 'Pensamentos e Reflexões'
Publicado por pns em janeiro 24, 2005 12:30 AMOlha, estamos a 23. :P
Afixado por: ana em janeiro 23, 2005 08:17 PM
Apesar de muito apreciar Marco Aurélio e a sua visão estóica, isto não é sempre verdade: há momentos limite em que a razão é anulada pelo instinto vital.
a razão é controle, a balança, temos que ter controle. o medo pode sentir, mas não deixar que ele te destrua. pés bem fincado no chão. sempre com razão.
Afixado por: Joana D´Arc em janeiro 23, 2005 11:41 PMa razão é controle, a balança, temos que ter controle. o medo pode sentir, mas não deixar que ele te destrua. pés bem fincado no chão. sempre com razão.
Afixado por: Joana D´Arc em janeiro 24, 2005 12:26 AMFoi curioso encontrar os comentários acima. Quão diversificados somos quando se trata de opinião(e isso é muito bom). Marco Aurélio, com a lógica da cultura greco-romana(tal como o 2º comentário), acreditaria no humanismo, confiando no crédito da ciência e da lógica. A outra corrente mais atual(1º comentário) põe lenha na área do irracional, do inconsciente, algo além de nossas meras deduções. É a razão sem limitação, na linha da irracionalidade mesmo. Sendo assim eu prefiriria ajuntar-me ao Sr. Queiroz, mas tenho um conceito a respeito de tudo isso ao qual falarei no final deste comentário...
Junto com o tal controle da alma objetivado por Marco Aurélio, estaria a visão genuína de pôr em partes separadas a opinião e a alma. Utilizaria-se a razão para controlar a impulsividade,através dos questionamentos, para assim apaziguar o que nos perturba. Tais ofensas perturbatórias seriam consumidas como numa reação pelo senso da verdade, que é a opinião,ao qual tem papel por solidificar o nosso estilo de viver, dando razão para a mesma e estimulando aquilo que nos foi mais útil para separar o homem do animal: o intelecto.
Eis o meu pensar: nada adianta fugir da zona racional mesmo que se queira chegar ao irracional. Somos feitos de cérebros e, com tal mecanismo, a razão o acoberta. Preferiria seguir a brilhante citação, cujo autor foge-me a memória: "no creo em bruxas,pero que las hay las hay",utilizando-me da razão instável para "controlar a alma" e assim iludindo-me o máximo possível para sustentar a minha lucidez diante de tamanhos absurdos existentes...
Afixado por: Phil em janeiro 27, 2005 08:44 PM