O medo é o que impede que tudo o que chega às maõs dos homens não se torne em sua propriedade. Basta produzir uma impressão que não se pode explicar, inserindo no medo o desconforto da culpa. É assim que milhões de pessoas podem ser pastoreadas nas ribeiras da paz por muito poucas. E nas trincheiras da guerra por outras tantas, senão as mesmas.
Agustina Bessa-Luís, in 'Antes do Degelo'
Publicado por pns em janeiro 29, 2005 01:48 PMEsta autora portuguesa diz algo que pouco percebia. O medo realmente é resultado de uma incapacidade nossa de poder estar acima daquele que nos provoca,tal como na relação explorado e explorador, sendo esta diferente e menos perceptível, por ser uma metodologia de um medo psicológico gradativo e contínuo, ao que pouco percebemos ou reconhecemos como medo. O medo repentino e violento,ao qual não podemos reverter situação no momento, estando além de nossas capacidadades, é a denominação comum de medo. Não que este seja o pior, acredito ainda que aquele prolongado, quieto,silencioso, continue sendo o mais prejudicial e cruel...
O sentimento da culpa correspondente ao medo também é incrivelmente pertinente já que ela é inconsciente, fruto da absorção total do "eu"(na percepção centralizada de que naquele momento só existe tragicamente os dois seres).