fevereiro 04, 2005

Escravo de Si Mesmo

A suposição de que a identidade de uma pessoa transcende, em grandeza e importância, tudo o que ela possa fazer ou produzir é um elemento indispensável da dignidade humana. (...) Só os vulgares consentirão em atribuir a sua dignidade ao que fizeram; em virtude dessa condescendência serão «escravos e prisioneiros» das suas próprias faculdades e descobrirão, caso lhes reste algo mais que mera vaidade estulta, que ser escravo e prisioneiro de si mesmo é tão ou mais amargo e humilhante que ser escravo de outrem.

Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'

Publicado por pns em fevereiro 4, 2005 08:39 AM
Comentários

Concordo com a grande pensadora Hanna Arendt, qundo sustenta a tese de que a dignidade do ser humano não é o conjunto de actos e neste inclui todas as acções humnanas, inclusive as intelectuais, que um ser humano vai praticando ao longo da sua existência. É claro que quem assim julgar, irá viver em função desse conceito de dignidade, e quando se vive subordinado a algo ou a alguém, a nossa existência fica condicionada. Contudo, a diginidade também é aquilo que fazemos na nossa existência, e aqui terei que discordar da autora, se ela excluíu(é uma hipótese, pois do excerto ora comentado, não é liquido essa exclusão, quanto a mim) todos os comportamentos do ser humano da estrutura da dignidade.

Lobo das Estepes

Afixado por: Fernando em fevereiro 4, 2005 01:23 PM

Fernando, acredito que Arendt não tenha excuído "todos os comportamentos humanos da estrutura da dignidade". Ela o pôs no termo da "identidade", sem justificar o como se obter,ou o que é tal identidade.Estaria aí todos os tais comportamentos inseridos neste item.

Quanto a visão da autora, enxergaria ela que a repetição dos fatos geraria a identidade? Sim, daí o seu raciocínio em atribuir a dignidade aos fatos corriqueiros e não meramente ocasionais...mas não seria isto uma espécie de vício também?

Afixado por: Phil em fevereiro 11, 2005 12:15 AM

Fernando, acredito que Arendt não tenha excluído
"todos os comportamentos do ser humano da estrutura da dignidade", ela apenas sintetitou o tal sentimento da dignidade,como outros no item "identidade". Mas o que seria esta tal identidade, ou de que modo seria esta feita? Penso que através de muitas repetições,gerando um âmbito de costumismo inexorável,um hábito, ao contrário do falso testemunho de ser digno por acaso, ou em ocasiões próprias. Este espelho escraviza mesmo, todavia será que o costume da repetição não geraria um outro tipo de escravidão por cegueira?

Afixado por: Phil em fevereiro 11, 2005 12:24 AM
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