A solidão concede ao homem intelectualmente superior uma vantagem dupla: primeiro, a de estar só consigo mesmo; segundo, a de não estar com os outros. Esta última será altamente apreciada se pensarmos em quanta coerção, quantos estragos e até mesmo quanto perigo toda a convivência social traz consigo. «Todo o nosso mal provém de não podermos estar a sós», diz La Bruyère. A sociabilidade é uma das inclinações mais perigosas e perversas, pois põe-nos em contacto com seres cuja maioria é moralmente ruim e intelectualmente obtusa ou invertida. O insociável é alguém que não precisa deles.
Desse modo, ter em si mesmo o bastante para não precisar da sociedade já é uma grande felicidade, porque quase todo o sofrimento provém justamente da sociedade, e a tranquilidade espiritual, que, depois da saúde, constitui o elemento mais essencial da nossa felicidade, é ameaçada por ela e, portanto, não pode subsistir sem uma dose significativa de solidão. Os filósofos cínicos renunciavam a toda a posse para usufruir a felicidade conferida pela tranquilidade intelectual. Quem renunciar à sociedade com a mesma intenção terá escolhido o mais sábio dos caminhos.
Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
Publicado por pns em fevereiro 10, 2005 09:47 PMA solidão é uma dádiva, que poucos a reconhecem como tal!
Afixado por: Maycon em fevereiro 11, 2005 01:35 PMSe a solidão é uma dádiva, qual a razão da sobedoria? Não seria a sabedoria o confronto, a indignação, a contestação? A solidão joga por terra tudo isso, não havendo vantagem para o sábio viver no clausuro.
Afixado por: Osvaldo em fevereiro 11, 2005 05:11 PMSe a solidão é uma dádiva, qual a razão da sobedoria? Não seria a sabedoria o confronto, a indignação, a contestação? A solidão joga por terra tudo isso, não havendo vantagem para o sábio viver no clausuro.
Afixado por: Osvaldo em fevereiro 11, 2005 05:11 PMExatamente, meu caro Osvaldo, a sabedoria é a qualidade humana cuja necessidade intitula-se na convivência.
É muito curioso quanto o ser humano deseja este ar de independência,de individualidade mesmo e de autonomia. Começa pela infância e adolescência,que sonha um mundo de muita amizade e harmonia,todavia, conforme o evoluir dos tempos,o medo vai tomando conta daqueles com mais experiência de vida, o que isola-os mais de todos,como forma de proteção, o que de fato é até verdade. Temos de desconfiar de tudo e de todos,infelizmente. Mas o convívio social é cada vez mais necessário,não apenas para o trabalho dos dias atuais como para o crescimento humano de cada dia.
Aprendemos muito com os livros,mas também com as pessoas,a quem podemos criticar e elas podendo ou não, podem retrucar a crítica,coisa que o livro não faz!!
Acredito que o ser humano não pode viver autonomamente,pois ele precisa de algo para sobreviver. Se pusessemos no vácuo,ele morreria de fome e necessitaria de um amigo qualquer,mesmo que este amigo não tenha vida. Ele precisa se aprisionar a algo para se satisfazer. Está aí uma das virtudes(se souber utilizar-lha bem) que o ser humano carrega consigo em toda a forma de existência. É preciso ser sábio e corajoso o suficiente para limitar o medo,adentrando mundo a fora, a procura de outro que o procura...
Afixado por: Phil em fevereiro 15, 2005 12:17 PM