fevereiro 13, 2005

Bens Ilusórios

logb5.jpgPor nosso mal lá chega a idade, em que não queremos mais fortunas, que o viver; conhecemos a ilusão delas, e se as buscamos, é como por costume, mas sem ânsia, e sem desassossego; o desejo de as alcançar, é como um resto de calor, que apenas se faz sentir. Não reflectimos sobre o pouco tempo, que devemos gozar um bem, senão depois de o ter: só então consideramos o muito que custou a alcançar, e o pouco que o havemos possuir.

Em cada país há um modo com que as cousas se imaginam; o que é fortuna em uma parte, é desgraça em outra, o que aqui se busca com empenho, ali se despreza totalmente. Os objectos que entretêm a vaidade, e estimação dos homens, são como ídolos, que só se veneram em lugar determinado, e fora daquele tal espaço, a adoração se troca em vitupério; o mesmo mármore de que em Atenas se faria uma Minerva, transportado a outro lugar, apenas servirá de base a uma coluna; assim é a vaidade, por mais que seja universal nos homens, os motivos dela não são universais.

Matias Aires, in 'Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Carta Sobre a Fortuna'

Publicado por pns em fevereiro 13, 2005 03:44 PM
Comentários

Não consegui enxergar o título "Bens ilusórios" no trecho,mas apenas "A vaidade em suas diversas faces". Se o homem se ama, ele deve ser vaidoso. Sendo assim, é curiosa a observação acima a respeito das muitas vaidades cultuadas na maior parte do mundo. Alguns consideram vaidade o bem material, outros o bem espiritual e outros o bem físico,na arte fisiculturista. Diversos livros retomam o tema investigando esta vaidade coletiva,que divide muitas vezes o ocidente em ocidente e o oriente em oriente,mas existem também aquelas particulares,cujo ambiente infantil e familiar moldam seus aspectos mais distintos.

Afixado por: Phil em fevereiro 15, 2005 05:17 PM
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