Um homem quando casa, se o faz verdadeiramente apaixonado, ao princípio não consegue tocar o corpo da sua mulher sem se perturbar e incendiar em desejo carnal; mas à medida que o tempo passa, acostuma-se, e chega um dia em que é o mesmo para ele tocar com a mão a coxa nua de sua mulher ou a sua própria coxa; mas também se então tivessem de cortar a perna a sua mulher, doer-lhe-ia como se lha cortassem a ele próprio!
Miguel de Unamuno, in 'Névoa'
(Contribuído por António Almeida, de Lisboa)
Publicado por pns em fevereiro 19, 2005 03:37 PMSem dúvida.
Este juntar de almas, na forma de um amor que se prolonga por anos, esvai muitos prazeres que antes existiam e que com o tempo consume-se,passando a ser costumeiro e comum. Pode até virar um hábito,como quem escova o dente diariamente. Vira um prazer consumado e às vezes pouco perceptível. Quando há a perda deste prazer, desmorona-se tudo, restando a lembrança dos dias passados e, quem sabe, dos dias não aproveitados por simples compadecimento de que seriam eternos...
Afixado por: Phil em fevereiro 23, 2005 11:22 PM