Todos amam precisamente o que lhes falta. A escolha individual, que se funda nessas considerações meramente relativas, é bem mais determinada, mais decidida e mais exclusiva do que a escolha que se baseie em considerações absolutas; é desses aspectos relativos que vulgarmente nasce o amor de paixão, enquanto os amores comuns e passageiros só são guiados por considerações absolutas. Nem sempre é a beleza regular e perfeita que dá origem às grandes paixões. Para uma inclinação verdadeiramente apaixonada é necessária uma condição que só nos é possível descrever através de uma metáfora tirada à química. As duas pessoas devem neutralizar-se uma à outra, tal como um ácido e uma base alcalina num sal neutro.
Arthur Schopenhauer, in 'Metafísica do Amor'
Publicado por pns em fevereiro 20, 2005 04:09 PMNo tempo de Schopenhauer pouco ou nada se sabia sobre genes e suas "atividades". Para mim, são os genes que, imperiosos, decidem o tipo de parceiro/a que escolhemos. Homens grandes geralmente sentem atração por mulheres pequenas. Baixinhos sentem atração por mulheres altas. Morenos preferem as loiras e estas preferem os morenos. Homens muito falantes interessam-se por mulheres mais caladas, etc,etc. Os genes estão sempre em busca do melhor complemento para melhorar a espécie. O autor se aproximou da verdade quando falou em "química".
Afixado por: Francisco C. Pinheiro Rodrigues em fevereiro 20, 2005 09:44 PMNão há mera disposição genética nas relações, mas a relação também é genética. Compreendendo o complexo é irrefutável que as pessoas espelham suas carências às pessoas com quem quer conviver, e não por sentido puramente genético, mas por fim em comportamento psicológico que não deriva necessáriamente da genética.
O pensamento de Arthur Schopenhauer à respeito do citado é irretocável.
Obviamente que haverá a excepção que confirma a regra, mas creio ser possível (senão banal) pessoas com qualidades e defeitos muito semelhantes apaixonarem-se. Haverá espíritos narcisistas que procurem precisamente quem lhes confirme as suas inquietações, quem lhes ratifique as suas certezas.
E pensemos em quem se apaixona por uma silhueta, por umas pernas bem torneadas,enfim, por um pedaço de mulher. Por vezes essa paixão física que mais tarde se transmuta para paixão completa, encontra um outro muito semelhante.
Se as duas pessoas no campo do "dever" se deveriam neutralizar umas às outras, na realidade não creio que isso seja uma regra absoluta.
Afixado por: António Almeida em fevereiro 22, 2005 02:10 PMObviamente que haverá a excepção que confirma a regra, mas creio ser possível (senão banal) pessoas com qualidades e defeitos muito semelhantes apaixonarem-se. Haverá espíritos narcisistas que procurem precisamente quem lhes confirme as suas inquietações, quem lhes ratifique as suas certezas.
E pensemos em quem se apaixona por uma silhueta, por umas pernas bem torneadas,enfim, por um pedaço de mulher. Por vezes essa paixão física que mais tarde se transmuta para paixão completa, encontra um outro muito semelhante.
Se as duas pessoas no campo do "dever" se deveriam neutralizar umas às outras, na realidade não creio que isso seja uma regra absoluta.
Afixado por: António Almeida em fevereiro 22, 2005 02:10 PMA predisposição,acredito ser, muito antes de genética,psicológica e,sobretudo,química, tal como Rufus disse. Estas enzimas partem das suas reações que ainda pouco conhecemos,lançando à pessoa características muito almejadas,como um deus no mundo dos bárbaros. Quando depois se concretiza o desejo,ou esvaece,os exageros desativam-se,retornando a normalidade, como quem volta de um outro mundo. Daí para fixar a diferença entre um falso amor e um amor genuíno restam as características de encaixe,algo a que a outra alma possa se completar. Há de haver semelhanças entre elas,mesmo que minoritárias,é claro, todavia a diferença é que faz maior reluzente,num trabalho permanente de ambos se revolucionarem com mente diferentes e idéias novas, num possível amor sem rotinas e de muitos recomeços...
Afixado por: Phil em fevereiro 24, 2005 12:31 AM