Por vezes, o homem é mais sincero e rico na desordem dos sonhos que na consciência unitária do raciocinador acordado, mas nós vivemos enquanto negamos o sonho e o tornamos inútil. O génio é a extradição do sonho, porque enriquece a consciência com as reservas e as pessoas do inconsciente. Expulsa o selvagem e o delinquente, destila a sagacidade do louco, adopta a criança e escuta o poeta. Não é autocrata surdo, como o homem vulgar, mas pai de iguais. A concórdia de se terem almas subterrâneas faz a grandeza do génio, e a sua obra é a sublimação do sonho, desenrolado na vida verdadeira, liberdade concedida aos pensamentos inocentes dos reclusos.
Escolher é próprio do homem, mas escolhe-se com a rejeição e mais com o acolhimento. Vencer não significa apenas destruir, mas incorporar. A razão será tanto mais razoável quanto maior a loucura que assumir em si; o herói será mais forte se transferir para si a energia do pecador, e a fantasia do poeta tornará mais profundos os cálculos do político.
Quando o chefe da alma é o poeta, verdadeiramente poeta, não encarcera a razão, mas condu-la consigo para cima, ao céu em que até o silogismo se torna fogo. Quando o vitorioso é o santo, até o ladrão, sob a forma de arrependimento, é elevado ao paraíso. E os espectos, tornados participantes da luz, não têm motivo para recorrer às fantasias nocturnas para se iludirem de que vivem. A vida não é sonho, mas a urdidura dos sonhos pode iluminar e embelezar a trama da vida.
Giovanni Papini, in 'Relatório Sobre os Homens'
Publicado por pns em março 30, 2005 12:05 AMnossa! isso foi extremamente profundo! adorei, que tal colocar um contador no seu blog?
beijinhos :)
nossa! isso foi extremamente profundo! adorei, que tal colocar um contador no seu blog?
beijinhos :)
Todos os sonhadores deveriam ser escritores, pois a forma mais possível de realizar os sonhos é passá-los para o papel e fazer com que eles vivam, ganhem cor e ânimo!
Sonhar demais para ignorar a realidade pode-se tornar doloroso demais quando chega o momento de pôr os pés em terra firme. E quanto mais se sonha, mais a realidade se vai afastando, é como se fossem dois estados em movimento com sentido inverso. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio entre o sonho e a realidade. Ando desesperadamente a tentar encontrá-lo e sinto-me quase no ponto do intervalo entre os dois extremos, em que quase desacredito o sonho que nunca se tornará realidade e a realidade, que a todo o custo desejo metamorfosear. É que quando decidi escrever como total amadora, apenas motivada pela vontade de sonhar, todos os meus sonhos mais próximos do consciente tiveram luz.
Não acredito que un sonho seja mera invenção ou nasça de um mero devaneio e que seja para matar na realidade. Que se apresente como uma ficção e por isso totalmente impossível de realizar, pois considero que isso é passar um "atestado de óbito" a alguém que está vivo!
Desacreditar totalmente os sonhos é como parar o desevolvimento da espécie humana que na sua essência é identificada com a descoberta do seu próprio e único "livro" escrito a transparente dentro do profundo da alma.
O pensador Giovanni P. não diz tudo sobre o papel do sonho na vida, mas decifra o começo de tudo, o princípio do ser humano. Ou seja o ser humano revela-se ou põe em relevo tudo o que é, da forma mais sincera possível e isto sem ignorar a razão! E principalmente age em sonho da forma mais justa e mais digna possível em comparação com aquele que raciociona bem acordado e não consegue nunca, nem ser tão verdadeiro, nem tão justo. É como se o estado inconsciente do sonhador se transformasse na consciência mais justa do mundo! E é por isso que ele nomeou como o maior dos sonhos, o verdadeiro poeta, pois este não aprisiona a razão. Encontra a forma mais sensível e inteligente de a conduzir(a razão) sem absolutamente esforço nenhum, apenas apoiando-se no seu próprio livre-arbítrio e no seu puro e sensível bom-senso que se manifesta devido ao estímulo facultado pela liberdade de poder sonhar.
A arte de sonhar pode ser realmente magnífica,posto que os desejos humanos são postos em questão. Certas vezes o algo não se realizará mesmo..."por que não sonhar um pouquinho?", ou então: "Por que não aspirar por um futuro a seu modo?". É curioso lembrar a função do papel para esta fantasia imaginatória. Daí os escritores. Por isso, eles são como Fernando Pessoa disse:" Todos mentirosos". A vida sem sonhos é seca e penosa.
O perigo está no vício de se sonhar. Será difícil separar a fantasia e a ingenuidade do sonho com as nossas realidades nem sempre tão racionais...
Enquanto o ser humano nunca se contentar com a presente situação em que vive(e isso será bem difícil,posto que por serem desejos eles se renovam constantemente), restará sempre o sonho e o seu inconsciente montado para lhe fazer este papel.
Afixado por: Phil em abril 7, 2005 03:57 PM