É o prazer de viver que dispersa, suprime a concentração, paralisa todo o impulso para a grandeza. Mas sem prazer de viver... Não, a solução não existe... A menos que seja uma solução fazer de um grande amor uma raiz e nele encontrar a fonte de vida sem o castigo da dispersão.
Albert Camus, in 'Cadernos'
Publicado por pns em março 27, 2005 05:40 PMTudo o que é dito é bem certo mas... o que é o prazer de viver?... Paixão?... Paixão por alguém, por uma coisa, uma ideia?... Prazer não implica o seu contrário - dor?... Como viver entre essas duas forças: prazer e dor?... Cortando a direito, "só eu e os meus sonhos é que contamos"?... Arrogância?... Eu diria, como Agustina pela voz do narrador em
"A Sibila", que sem paixão a vida é impossível.
Quem me diz alguma coisa?
Fico à espera...
Desculpai, o e mail correcto é
josefmarinho@simplesnet.pt
Dizei coisas... Não esqueçais...
Adro56,
Acredito que o prazer de se viver não seja esta a da paixão (que o autor prega como um contraponto a esta não vontade - "fazer de um grande amor uma raiz e nele encontrar a fonte de vida"),mas a da visão global das coisas. Seria esta a "diversão prazerosa" para muitos,sob o olhar de todas as possibilidades boníficas que abundam por aí. É difícil acreditar que a dor também é componente desta "diversão prazerosa",porque sem a dor não haveria a nossa busca pelo prazer(Freud já disse muito isso).
Os famosos autores clássicos estão inseridos nesta falta de prazer que gera a sua grandiosidade para a sociedade,mas que no fundo foi uma fuga desgostosa dele do mundo,um método de viver engaiolado(e ainda cultivam o espírito destes gênios problemáticos para todos com virtude).
Podemos contar muito com os sonhos para nossas possibilidades que nunca se concretizarão. Sonhar eleva nosso ardor inocente que temos do que é esta mistura de várias coisas,a vida.
A meu ver, a "atitude do sonhar" poderia ser também um gesto de arrogância a tudo que se conceitua como imperfeito,podendo ser também forma de defesa.
Sem a paixão, a vida é certamente impossível. Todavia a paixão obsessiva por uma coisa termina por cegar os nossos olhos para tudo que a vida nos apresenta. Aí poderíamos soltar uma filósofica questão: "Estaria eu por trás destas muralhas(a paixão),no fundo, dentro de uma prisão?".
Afixado por: Phil em abril 2, 2005 08:00 PMVivemos o absurdo, o sentido q nos proprios incutimos.O desapego é prazer.A menos que algum,aparente,sentido se manifeste na nossa mente!
Afixado por: Mira em abril 28, 2005 02:32 AM