abril 11, 2005

Imagem Enevoada

Paradoxo: por um lado, a televisão fabrica-me representações de um mundo longínquo; por outro, esse é o mundo adequado ao meu mundo. É o que me convém: se as imagens do mundo não me dizem respeito, ou me dizem só longinquamente respeito, então está tudo bem assim, porque a minha imagem também só enevoada me diz respeito.
Eu nem me apercebo do «longe», do «afastamento», da «ausência de mim a mim». Não há paradoxo, porque não há consciência dele. Não há sobressalto de pensamento. Tudo se mistura, talvez.

José Gil, in 'Portugal Hoje - O Medo de Existir'

Publicado por pns em abril 11, 2005 12:05 AM
Comentários

bem vindo a matrix...
Nada merece nosso esforço, todas as ocupações às quais nos dedicamos são apenas um passatempo para suportarmos a vida. Sempre precisamos cultivar um entusiasmo cavalar e ilusões de todos os tipos para conseguirmos a motivação necessária para manter nossa vida em seu rumo – em outras palavras, para mantermo-nos alheios ao angustiante vazio da realidade. No fim, é certo que as expectativas lançadas sempre estão muito acima do resultado real. O fato é que precisamos ultravalorizar a nós mesmos e todos os nossos objetivos por uma simples questão de autopreservação. A motivação humana sustenta-se neste tipo de auto-engano.

Afixado por: Fernando Lopes em abril 11, 2005 01:17 PM

Eu também as vezes sinto-me enevoado, divago não sei se existo, ou se insisto... perguntas e respostas não resolvem este dilema e tudo permanece misturado.

Afixado por: CLAUDIO em abril 11, 2005 07:59 PM

Os outros não me reconhecem na realidade, mas apenas na fabricação criativa desta, compoêm um cenário lindo cheio de imaginação inefável e transmutada para a terra onde o bem existe na escala mais aumentada da visão artística! Assim se vai explicando a minha muito provável inexistência na composição da realidade.
E o medo transformou-se de repente em vontade de ser, de querer, de viver, de sonhar e é uma nova realidade a encetar o ser a dar cor e amor e coragem na invenção da viragem, da mudança real e destemida!
O lugar comum da mudança é sintonizado com uma imagem nitida cheia de brilho surpreendente e coerente. É semente de alguma coisa que não é longínqua, nem indefinida, é e não tem medo de ser com a puridade do começo.

Afixado por: Luisa Mira em abril 12, 2005 08:54 PM

COncordo plenamente com Fernando Lopes. A realidade é por demais vazia e cansativa,pois como seres racionais queremos algo novo, algo a procurar e conhecer como fator de diversificação,que pode ser até o auto-esquecimento...No fundo são nossos mais profundos desejos encutidos na tal sombra Jungiana,ao qual não temos idéia de como seja,pois não nos conhecemos suficientes para dizer o que realmente somos. Como almejmos sempre o que nos ensinaram correto,o que na realidade não ocorre muito como esperado,para não nos preocuparmos,liga-se a TV e o espírito da pessoa vaga para aquela da outra,onde naquela situação arquitetada e montada por trás dos estúdios de TV, está realizando o sonho perdido recapitulado,que mesmo em outra pessoa e corpo é sobretudo sentido...

Afixado por: Phil em abril 22, 2005 05:05 PM
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