Daqueles que comandaram batalhões e esquadrões só resta o nome. O género humano nada tem para mostrar duma centena de batalhas travadas. Mas os grandes homens de que vos falo prepararam puros e perenes prazeres para os homens que ainda hão-de nascer. Uma eclusa a ligar dois mares, um quadro de Poussin, uma bela tragédia, uma nova verdade - são coisas mil vezes mais preciosas do que todos os anais da corte ou todos os relatos de campanhas militares. Sabeis que, comigo, os grandes homens são os primeiros e os heróis os últimos.
Chamo «grandes homens» a todos aqueles que se distinguiram na criação daquilo que é útil ou agradável. Os saqueadores de províncias são meros heróis.
Voltaire, in 'A Era de Luís XIV'
Publicado por pns em abril 28, 2005 12:05 AMObrigado pns por me dares a conhecer um texto tão expressivo.
Está explicado porque é que hoje há tantos heróis. Malditos heróis!
Em todas as ocasiões,em todas as indecisões, em todas as perdas de ilusões, em todas as solidões, em todas as tristes e enganosas imitações...
Sempre, sempre haverá a luzinha ao fundo do túnel, nem que seja por fracções de segundos. Falo, é claro para mim, daquela esperanca e fé que se pode reaprender quando se interioriza o funcionamento e entendimento da realidade que está fora de nós. São eles(as) que abrem as portas para a passagem para o mundo que é o verdadeiramente humano. O mundo onde não se procuram ou disputam ganhos ou perdas, onde a contabilidade (receitas e despesas) se personifica apenas na simplicidade da satisfação pessoal.
Se a principal aprendizagem no ensino escolástico tivesse como primordial objectivo a criatividade de cada um, a aproximação da felicidade e a diminuição do número estatístico(que se aproxima da realidade?)de pessoas frustradas iria ter um grande incremento.
Exemplos de total criatividade ou liberdade de pensamento (que me ajudam a procurar dentro de mim própria as minhas apetências e os meus gostos).
Os criadores, seja qual fôr a sua área, conseguem transmitir-nos através das suas obras, que nos embevecem, uma verdadeira crença na nossa real e verdadeira satisfação pessoal.
Concordo plenamente que são esse os verdadeiros Grandes Homens!
Concordo em parte com o que diz,Mira. Este homem embebido de pensamentos e sonhos é por demais avançado para o nosso tempo,posto que é necessário ser grande para si e depois para os outros. E além do mais, deveríamos considerar que cada um possue a própria aptidão para executar habilidades. Existe diversificação nos atos. Portanto, pensar assim é pensar em si na forma de utopia...
Retomando o macro aspecto de tudo,concordo com Voltaire quando diz que todo grande homem é feito para o futuro. Não é da fama imediata de que falas,mas da fama e inspiração aos futuros. Mas eis a contradição: Será que nenhum general "do momento",herói por assim dizer, não soube também ser homem do futuro? Napoleão e Alexandre é um exemplo disto. Na verdade nunca saberemos qual será o conceito de homem a se inspirar no futuro. ASsim, o herói de hoje pode ser o vilão de amanhã ou o marginalizado pode se tornar objeto de culto constante em uma sociedade de vais e vens constantes...hipocrisia ou merecimentos?