Vivemos mesquinhamente, quais formigas, ainda que a fábula nos relate que há muito tempo atrás fomos transformados em homens; como os pigmeus lutamos com gruas; e é erro sobre erro, remendo sobre remendo, e a nossa melhor virtude decorre de uma miséria supérflua e evitável. A nossa vida é estilhaçada pelo pormenor.
Um homem honesto dificilmente precisa de contar para além dos seus dez dedos das mãos, acrescentando, em caso extremo, os seus dez dedos dos pés, e o resto que se amontoe. Simplicidade, simplicidade, simplicidade! Digo: ocupai-vos de dois ou três afazeres, e não de cem ou mil; contai meia dúzia em vez de um milhão e tomai nota das receitas e despesas na ponta do polegar. A meio do agitado mar da vida civilizada, tantas são as nuvens, as tempestades, as areias movediças, tantos são os mil e um imprevistos a ser levados em conta, que para não se afundar, para não ir a pique antes de chegar ao porto, um homem tem de ser um grande calculista para lograr êxito.
Simplificar, simplificar, simplificar. Em vez de três refeições por dia, se preciso for, comer apenas uma; em vez de cem pratos, cinco; e reduzir proporcionalmente as outras coisas. A nossa vida é como uma Confederação Germânica, composta de insignificantes Estados e com as fronteiras sempre a flutuar, de modo que nem uma alemão sabe, em dado momento, dizer quais são.
Henry David Thoreau, in 'Walden'
Publicado por pns em maio 4, 2005 12:05 AMMuito mais do que excelente' seu blogger, consequemente o Citador. Eu adorei. Ando naquela fase de querer e nao querer o que tenho, de nao saber, sentir, ser e buscar a mim mesma. Tempo de reformulacoes internas, porque as externas sufocaram meu interior. Nesta fase gosto de introspeccao, de pensar e buscar leituras diversas [ pensadores, filisofos, poetas, compositores, etc ]. Porque vivo de palavras e elas despertam o que ha de adormecido em mim.
Muito obrigada, e que o Citador traga muito mais do que ja eh oferecido.
Beijokas proce
Thoreau prega exatamente em favor da direção contrária a que estamos nos direcionando. Dada a extrema diversidade das coisas, existe uma vontade egocêntrica em sempre se querer o mais do mais,o tudo para si...mas com isso esquece-lhe os detalhes que cada consumido objeto pode nos apresentar se trabalharmos diversas vezes as nossas percepções. Imaginem quanto aos livros por exemplo. Muitos lêem igual bebem água(eu já fui deste estilo) e terminam por montar imensos acervos que no final após anos de vivência, nada prestam à sua lembrança(nem o autor,nem a história), apenas a presença deste empoeirado em sua estante. Atualmente, sou a favor da leitura destrinchada,pesquisada,elaborada. O autor realmente assim passa a pertencer a sua vida,posto que grande parte do perfil psicológico deste pode ser traçado(junto a sua biografia que é um tanto importante, é claro). Eu garanto que o sabor é maior e melhor nesta situação do que a corrida aos livros possa nos proporcionar.
Se fosse do superficial ao profundo,ao menos eu acataria tal sugestão,mas nada de gabar-se com os materiais acumulados. Eles são a extensão da sua busca e não do conhecimento(que adquire o caráter apenas informacional e de razoável copismo).
Afixado por: Phil em maio 12, 2005 02:26 PM