Quando se faz uma pergunta dissemos já que nos interessamos por uma determinada questão, limitamos já o campo da resposta. Que eu te pergunte, disseste-me tu, «está frio?», e nada se poderá dizer senão referente ao frio. Não se poderá responder por exemplo que a arte é bela ou que a Terra é redonda. É por isso que é suspeito para um ateu que se pergunte se Deus existe; como seria ofensivo perguntar-se a alguém se a mulher o atraiçoa... Mesmo que a resposta dissesse «não», a pergunta, só por si, já de algum modo tinha dito «sim».
Vergílio Ferreira, in 'Estrela Polar'
Publicado por pns em maio 10, 2005 12:10 AMGostaria que alguém me informasse se este autor é português e ainda está vivo. Não conhecia nada da sua obra e sempre que vejo algo escrito por ele no site, identifico-me. A propósito, sou brasileira
Afixado por: silvia em maio 10, 2005 04:52 PMsilvia,
Vergílio Ferreira é o meu escritor Português preferido (assim como Clarice Lispector a minha escritora brasileira preferida). Claro que fico muito contente quando vejo alguém interessar-se por ele. Ele faleceu há poucos anos e tem uma obra ímpar e bem recheada, tanto a nível de Romance como de Ensaio. Se gosta das reflexões que tenho colocado, iria certamente de ler dois dos seus livros de colectânias de pequenos pensamentos, "Pensar" e "Escrever". Não sei se estão disponíveis aí no Brasil, em Portugal são editados pela Bertrand, www.bertrand.pt
pns
Afixado por: pns em maio 10, 2005 10:41 PMO porquê das perguntas?
Será que conseguimos responder a esta?
e a esta?
Será que são simplesmente perguntas retóricas, sem resposta, sem razão.
O porquê?
Existem perguntas que não merecem respostas,por serem ocultadas posto que significam a ferida de alguém na sua curiosidade. Mas seria bom não atermos atambém aquelas perguntas simples e ao qual o interlocutor não fari questão de responder...é que ele próprio não saberia responder segundo a sua opinião que apenas fixa-se em fatos que podem ser longíncuos e de pouco apoio. Quem sabe mais tarde ele te diga:"Não é exatamente isto que te disse". Seria mais conveniente neste caso, observar com os sentidos a pessoa misteriosa e dela o seu dia-a-dia para assim tirar conclusões mais racionais...mas nem por isso há certezas,pois nem tudo é consentâneo com a realidade.
Afixado por: Phil em maio 19, 2005 02:59 PM