Devemos sempre dominar a nossa impressão perante o que é presente e intuitivo. Tal impressão, comparada ao mero pensamento e ao mero conhecimento, é incomparavelmente mais forte; não devido à sua matéria e ao seu conteúdo, amiúde bastante limitados, mas à sua forma, ou seja, à sua clareza e ao seu imediatismo, que penetram na mente e perturbam a sua tranquilidade ou atrapalham os seus propósitos. Pois o que é presente e intuitivo, enquanto facilmente apreensível pelo olhar, faz efeito sempre de um só golpe e com todo o seu vigor. Ao contrário, pensamentos e razões requerem tempo e tranquilidade para serem meditados parte por parte, logo, não se pode tê-los a todo o momento e integralmente diante de nós. Em virtude disso, deve-se notar que a visão de uma coisa agradável, à qual renunciamos pela ponderação, ainda nos atrai. Do mesmo modo, somos feridos por um juízo cuja inteira incompetência conhecemos; somos irritados por uma ofensa de carácter reconhecidamente desprezível; e, do mesmo modo, dez razões contra a existência de um perigo caem por terra perante a falsa aparência da sua presença real, e assim por diante. Em tudo se faz valer a irracionalidade originária do nosso ser.
Arthur Schopenhauer, in ''Aforismos para a Sabedoria de Vida'
Publicado por pns em junho 20, 2005 09:00 AMA Intuição é mais Forte que a Razão e porta de entrada das sensações.
Muito bom, mais este aforismo. Nao resisti a dar um destaque no meu blog a este blog-enciclopedia que precisava de todo o tempo do mundo para nos pesquisarmos e reflectirmos, e ha sempre tao pouco que sobeja... abraco.
Afixado por: Tiago Mendes em junho 20, 2005 03:50 PMO que escapa ao escopo da razão o corpo apreende. E a razão só pode trabalhar sobre o conhecimento do corpo. Poder-se-ia dizer que a razão é uma evolução dos sentidos, ou uma perturbação nos sentidos? De qualquer modo, ama-se melhor com o corpo.
A escrita intuitiva ou o modo de expressão da intuição fica concerteza sujeita a muitas destilações, lapidações ou correcções. É a única maneira da razão actuar, mas será que há intuições perfeitas ou quase perfeitas, sem que se tenha de tocar em tudo aquilo que se mostra espontâneamente "a la prima"?... Ou de forma Naif.
Afixado por: Luisa Mira em junho 22, 2005 10:57 AMNo sexo perfeito a razão se esvairia completamente e então terias intuições perfeitas, independentes de filtros racionais.
Afixado por: Ramon em junho 22, 2005 09:42 PMTendo em conta o sistema filosófico de Schopenhauer, a intuição ultrapassa os domínios da racionalidade. MAis do que razão a intuição é composta por emoção.
Afixado por: Apolo em junho 23, 2005 02:13 PMCreio que o ilustre amigo Schopenhauer pelo qual as teses trabalhei está devidamente equivocado quando diz que:"Em tudo se faz valer a irracionalidade originária do nosso ser". É decerto que está plenamente perdoado devido a mentalidade dos homens de seu tempo,onde apenas em Freud o conceito irá ressoar com mais magnitude(vale lembrar que o inconsciente é uma temática existente na cultura oriental).
Quando defini os termos da personalidade:pensamento,sensação, percepção e intuição,o fiz com o maior cuidado,percebendo que muitas vezes a intuição prevalesce a sensibilidade. Vou contar uma pequena história.Tive dois pacientes. O homem era do tipo sensitivo e a mulher do tipo inuitivo.Consegui pô-los no mesmo ambiente com a mesma proposta:quem veria primeiro o pássaro emergir no lago à procura de peixes. Ora, poderíamos pensar que o vencedor seria aquele que observa a realidade muito cuidadosamente,isto é, pondo nessa observação todos os seus sentidos,isto é, a função de sentir. Nada disso. A mulher ganhou todas as apostas. Ela derrotava-o em todos os pontos porque,pela intuição, sabia antes. "Como é possível?",perguntava-me diariamente.A partir daí realizei uma série de estudos sobre o assunto que não valeria a pena ressaltá-lo por aqui.
Schopenhauer acreditou que da intuição viesse a irracionalidade, o que de certa forma não foi bem assim segundo as pesquisas psicanáliticas feitas por mim e por Freud. Haveria a linha da transposição da racionalidade,da consciência em si, para o que denominaríamos inconsciente,o intuitivo por tanto estaria em uma das áreas.
Posso ver que ele estava muito perturbado pelo modo da razão não seguir a linhagem "prevista" e sendo assim, blasfema ela contra a "ferida" que "um juízo cuja inteira incompetência conhecemos".
No século XIX podemos dizer que ainda havia tal embate,entretanto após uma maior pesquisa sobre as psiques humanas, vemos que a razão quando estendida prolonga-se muito na área da não razão como complemento da mesma.