Não é preciso proibir aquilo a que nenhuma alma humana aspira. É precisamente o modo como está formulada a proibição: «Não matarás», que é de molde a dar-nos a certeza de descendermos de uma série infinitamente longa de gerações de assassinos, que possuíam no sangue, talvez como nós próprios, a paixão de matar.
Sigmund Freud, in 'As Palavras de Freud'
Publicado por pns em junho 19, 2005 10:20 AMEstas palavras de Freud, particularmente, fazem-me pensar de uma outra maneira nesta característica e banalizada frase que se não estou em erro está escrita na "Biblia": «Não matarás».
Dá-me, de facto a entender que num determinado dia ou em determinada altura da vida, "os filhos de Deus" terão de certeza ímpeto e vontade de matar! Será que quando escreveram a "Biblia"( que segundo me informaram foi escrita por muitas pessoas de diversos estratos sociais,que não eram todas escolarizadas,também escrita por simples e rudes trabalhadores da classe operária),
as pessoas tornavam-se muito facilmente assasínas pois haviam muitas injustiças e desigualdades?
Ou será que na Antiguidade a geração humana tinha implícitos genes criminosos e com o avanço da civilização, com uma maior educação das classes mais desfavorecidas e com a evolução o ser humano tornou-se muito mais tolerante e evoluiu também no sentido de controlar os seus piores instintos?
Quero dizer que esta frase sempre me pareceu despropositada numa escrita que se diz religiosa em que uma das principais permissas é: « ama o próximo como se fosse teu irmão» ( será mais ou menos isto?)
Talvez dita de uma outra maneira, pois se fôr interpretada friamente tem um resultado chocante e assustador.
Nesse caso deixem-me sonhar, que se faça uma nova "Biblia" para as novas gerações, mais pacificas, mais tolerantes com os olhos na paz, no perdão e na compreensão.
Tudo diz a sua primeira frase: "Não é preciso proibir aquilo a que nenhuma alma humana aspira."
"..com uma maior educação das classes mais desfavorecidas e com a evolução o ser humano tornou-se muito mais tolerante e evoluiu também no sentido de controlar os seus piores instintos?"
Seriam os mais pobres os culpados pela maior parcela de mortes, quando na verdade eles pertencem à maior parcela de mortos? Na verdade quem deveria ter evoluido seriam os governantes, que com uma ordem matam mais do que qualquer miserável com fome.
Ramon está certo.
A questão da morte talvez esteja muito mais ligada ao mais profundo da intimidade humana,sem que a percebamos.
Matamos a cada instante um verme,uma formiga, uma geração de idéias!E fazemos isso muitas vezes não porque somos ruins,mas sim por não percebemos ou se isto é algo natural.
Quanto ao quesito de matar um outro ser humano,
digo que é reflexo da ilusão da mente e dos sentidos,uma vez que quando mata-se uma pessoa,mata-se um outro 'eu' dentro de cada um.
O escritor russo Fiodór Doiestoevisky deixou como dádiva na literatura universal seu livro "Crime e Castigo",onde Raskovnikov fica com o espírito conturbado ao matar a velha usurária sem saber que a matou não por dinheiro,mas por um ideal de vitórias napoleonistas que no fundo não representavam ao mínimo o Napoleão,entretanto o conflito interno da falta de sentido ou da não sociabilização do indivíduo agoniado em seu mundo agonizante. Estão aí os graves parâmetros das mentes sãs hoje em dia.
Como disse um dia:"O mundo se sustenta por um fio tênue chamado psique.Não basta estudar os fatos humanos,como por exemplo a construção da bomba atômica,mas sim a sua utilização,a reação dos atos que o homem apresentará sobre o contexto".