O princípio da simpatia e antipatia tende ao máximo a pecar por severidade excessiva. Tende ele a aplicar castigo em muitos casos em que é injusto fazê-lo, e, em casos em que se justifica uma punição, a aplicar severidade maior do que a merecida. Não existe acto algum imaginável, por mais trivial e por menos censurável que seja, que o princípio da simpatia e antipatia não encontre algum motivo para punir. Quer se trate de diferenças de gosto, quer se trate de diferenças de opinião, sempre se encontra motivo para punir. Não existe nenhum desacordo, por mais trivial que seja, que a perseverança não consiga transformar num incidente sério. Cada qual se torna, aos olhos do seu semelhante, um inimigo e, se a lei o permitir, um criminoso. Este é um dos aspectos sob os quais a espécie humana se distingue - para seu desabono - dos animais.
Por princípio de simpatia e antipatia entendo o princípio que aprova ou desaprova certas acções, não na medida em que estas tendem a aumentar ou a diminuir a felicidade da parte interessada, mas simplesmente pelo facto de que alguém se sente disposto a aprová-las ou reprová-las.Os partidários deste princípio mantêm que a aprovação ou a reprovação constituem uma razão suficiente em si mesma, negando a necessidade de procurar qualquer fundamento extrínseco. Isto, no sector genético da moral; na área específica da política, tais autores avaliam o grau da punição de acordo com o grau de desaprovação.
Jeremy Bentham, in 'Uma Introdução aos Princípios da Moral e da Legislação'
Publicado por pns em agosto 4, 2005 08:00 AMO texto ressaltou mais a antipatia, a prevenção, o preconceito, a severidade contra o inimigo, pouco falando sobre a tolerância excessiva para com os erros dos amigos."Aos inimigos, aplico a lei; para os amigos, faço o que posso".É assim, infelizmente, que agimos. A desonestidade mental é um vírus que afeta o cérebro de 98% da humanidade. Assim, tratemos de não criar inimigos desnecessários, porque ninguém está livre de cometer um ato inocente mas com aparência de criminoso. Aí os inimigos fingirão acreditar ver nele um mal que não existe, mas que daria satisfação se existisse.
Afixado por: F.C. Pinheiro Rodrigues em agosto 5, 2005 02:30 PMSim...certamente a desonestidade mental é por demais aguda. Mas aí está todo o equívoco humano:primeiro na não aceitação do outro como semelhante(sempre terão que se sentir distintos e às vezes singulares de um outro para que assim possa "viver" como seres sociais);segundo pela compra às vezes gratuita da inimizade pelo outro.Muitos não querem se dar ao trabalho de nas suas monotonias virarem a um outro para se comunicarem. São seres isolados, apenas comunicáveis pelo dinheiro e pelo trabalho que presta por ele e ponto final!São todos na maioria altistas...talvez estajam já fartos de tudo e assim conspurgam como seres superiores e de grande imaginação...e disto,todos nós temos um pouco...
Afixado por: Phil em agosto 11, 2005 09:20 PM