Talvez o homem não possa esquecer nada. A operação de ver e de conhecer é complicada demais para que seja possível apagá-la de novo inteiramente; ou seja, para todas as formas que foram produzidas uma vez pelo cérebro e pelo sistema nervoso repetir-se-ão, a partir daí, muitas vezes. A mesma actividade nervosa repdroduz a mesma imagem.
Friedrich Nietzsche, in 'O Último Filósofo'
Publicado por pns em agosto 30, 2005 09:00 AMSem dúvida devemos procurar lembrar o que "esquecemos" sob pena de perder nossa integridade, ou jamais alcançar qualquer felicidade, mas sempre equilibrados entre a excesso do lixeiro de mementos que joga tudo fora, ou do colecionador que tudo guarda.
Afixado por: leonardo ferretti em agosto 30, 2005 09:43 PMEsquecer significa apagar o que somos e como chegámos até aqui. Ou seja, significa não aprender nada. Como poderemos esquecer aquilo que somos sem deixarmos de o ser?!.. Faz parte conservar, mesmo esse 'lixo psíquico'. A sabedoria está em arquivar numa das gavetas da memória - nunca em esquecer.
Nietzsche, mesmo vivendo numa época em que nada se sabia sobre Neurologia, intuiu acertadamente, inclusive com o seu "talvez". Vasto material que hoje chamaríamos de "lixo do computador" está dentro de nósl, hibernando, quase sem respirar, à espera do chamado de uma associção de idéias, ou choque na vida sentimental. É desse vasto depósito que se nutre a "imaginação" dos escritores que, quando iniciam suas obras nem imaginavam o rico material de que dispunham. Ao talento resta apenas combinar bem esse material descartado. Do próprio lodo pode surgir um lírio.
Afixado por: Francisco C. Pinheiro Rodrigues em setembro 1, 2005 01:45 AMO homem cai e levanta por ele mesmo. Bastante eloqüente o comentário do Francisco e da Ana....
Afixado por: Phil em setembro 9, 2005 12:58 AM( Curioso: Eu tinha um professor de Filosofia que dizia que se lembrassemos tudo eramos loucos....)
Curioso também: A operação de conhecer é, de acordo com Piaget, também não apenas uma repetição, mas também inclui a desconstrução de conhecimentos mal formados.
E há quem pense que, à medida que vemos repetir-se um comportamento em alguém; é a partir daí que se começa a atribuir algum "significado".
...Faz-me associar aos livros que estive a ler:
sobre a semiose de António Damásio o seu o objectivo. Eu, apesar de ser quase "moda": eu tenho muita pena mas, não consigo "compreender": apenas que não deva estar "fechada" , porque Damásio é inteligente e tem de certeza objectivos "nobres".
A Ana faz alusão à ontogénse do indivíduo, como eu gostei muito antropologia filosófica, é evidente que o comentário da Ana tem toda a razão de ser...
Sobre o comentário do Leonardo, Freud pensava que temos memória afectiva;portanto, armazenamos não como máquinas, guardando toda a lixeira mas, de facto, o que nos "dita" a nossa memória afectiva selectiva...