Não há ideal a que possamos sacrificar-nos, porque de todos eles conhecemos a mentira, nós os que ignoramos em absoluto o que seja a verdade. A sombra terrestre que se alonga por detrás dos deuses de mármore basta para nos afastar deles. Ah, com que amplexo o homem se estreitou a si próprio! Pátria, justiça, grandeza, piedade, verdade, qual das suas estátuas não traz em si os sinais das mãos humanas para que não desperte a mesma ironia triste que os velhos rostos outrora amados? Compreender não significa necessariamente aceitar todas as loucuras. E, no entanto, quantos sacrifícios, quantos heroísmos injustificados dormem em nós...
André Malraux, in 'A Tentação do Ocidente'
Publicado por pns em agosto 31, 2005 09:00 AMQuanto ceticismo e desilusão na boca desse francês... E quanta injustiça para com tantos desesperados que já se sacrificaram - até com a vida - a uma causa que supunham e, por vezes, era nobre. É certo que em muitos ideais dá para ver as marcas da mão do "esperto" bem articulado que, no fundo, só visava o próprio benefício, Mas ainda há homens justos,grandes, piedosos e verdadeiros, a mostrar que Malraux acertou no atacado mas errou no varejo.Quando ao patriotismo, esse é o palco em que mais se mente.
Afixado por: F. C. Pinheiro Rodrigues em setembro 1, 2005 01:24 AMCaro amigo comentário Francisco,
Acredito que ele não esteja cético ou com desilusão nisto tudo...talvez até um pouco sincero pela sua pós vivência à Guerra Espanhola.
Tais fatalidades nos ideais ainda correm nas veias de muitas pessoas que infelizmente acreditam em utopias...mas veja:não é que não se deve crer para lutar,não nego que lutar seja preciso e isto porque muitas vezes as coisas só andam sobre determinada pressão(principalmente quando há mais disparidades no sistema - Brasil por exemplo),mas querer reviver esperanças de um passado talvez não passe por sensacionalismo frajuto ou loucura. Basear sim, reviver não. E aqui estamos a definir nossos limites,nossas capacidades,nossos atos falhos,com uma consciência reflexiva e de muita desconfiança a todos e a tudo....chegaremos a algum lugar..quem sabe a de mais uma renovação de nossos conceitos??
Desculpe pela sugestão equivocada que tive ao criar a hipótese dele ter sugestionado a ideía na pós Guerra Civil Espanhola,o que na verdade não convém uma vez que ela ocorreu nos anos 30 e o livro foi escrito em 1926. Portanto, creio que talvez tenha originado de uma reflexão sua sobre os ideiais comunistas,que tanto partilhara e quem sabe num passado ainda jovem,compartilhara em juventudes na espera de uma "nova revolução russa de 1917"...
Afixado por: Phil em setembro 5, 2005 03:35 AM