Não somos firmes no amor, porque em nada podemos ser constantes: continuamente nos vai mudando o tempo; uma hora de mais é mais em nós uma mudança. A cada passo que damos no decurso da vida, imos nascendo de novo, porque a cada passo imos deixando o que fomos, e começamos a ser outros: cada dia nascemos, porque cada dia mudamos, e quanto mais nascemos desta sorte, tanto mais nos fica perto o fim, que nos espera. A inconstância, que é um acto da alma, ou da vontade, não se faz sem movimento; a natureza não se conserva, e dura, senão porque se muda, e move.
O mundo teve o seu princípio no primeiro impulso, que lhe deu o supremo Artífice; a mesma luz, que é uma bela imagem da Omnipotência, toda se compõe de uma matéria trémula, inconstante, e vária. Tudo vive enfim do movimento; a falta de mudança é o mesmo que falta de vida, e de existência, e assim a firmeza é como um atributo essencial de morte.
Matias Aires, in 'Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens e Carta Sobre a Fortuna'
Publicado por pns em setembro 3, 2005 11:00 PMÉ ser mais ou menos como uma "metamorfose ambulante".
Afixado por: Luciene em setembro 6, 2005 03:49 AM
Matias Aires, comparável apenas ao mais revoltado/esclarecido dos profetas bíblicos:-
Eclesiastes.
Sim...uma "metamorfose ambulante" mais do que nunca neste século XX.A agitação de nossos corpos chegam a ultrapassar a meu ver os limites da alma.Mas não sei se essa incerteza e essa falta de apoio se é seguro,refletindo o bom Matias Aires no século XX e XXI.É um século agitado,mas de muito ócio, melancolia e depressão. Firmeza da ignorância ou agitação desesperadora? Qual é melhor(menos pior)?
Afixado por: Phil em setembro 9, 2005 01:09 AM